Quando decidiu adotar uma criança, o professor Mário Alves de Oliveira tinha preferência por um bebê negro do sexo feminino. Já o companheiro dele, Sílvio, queria um menino um pouquinho maior. "Conversamos e eu acabei aceitando uma criança com até 3 anos de idade. Mas quando eu mudei o perfil e aceitei até 7 anos, em 30 dias fomos chamados", contou Mário.
Por se tratar de um casal homoafetivo, o processo de habilitação foi um pouco mais demorado e levou dois anos para ser concluído. Após a habilitação, foi mais um ano de espera até que os filhos tão desejados surgissem. As crianças, um grupo de três irmãos, moravam no Rio de Janeiro e Mário e Sílvio foram até lá para conhecê-las e finalizar o processo de adoção. "Antes do primeiro contato, psicólogas explicaram para a menina, que é a mais velha, que ela teria dois pais e não um pai e uma mãe. E, imediatamente, ela assimilou a ideia. Criança não tem preconceito. O preconceito está na cabeça dos adultos", disse o professor. "Quando me viram, me chamaram de pai imediatamente."
Assim que a adoção foi formalizada, há dois anos, o casal tirou licença-paternidade de seis meses e aproveitou o período para curtir Micaela, Pedro e Jorge, então com 6, 4 e 3 anos de idade, respectivamente. "O que as mães curtem durante nove meses, nós aproveitamos em seis meses", disse Mário. "Ser pai é muito mais do que eu esperava. Eles transformam a sua vida totalmente, em todos os sentidos. Entre os meus familiares, eu era visto como uma pessoa brava. Agora, sou outra pessoa. Não considero meus filhos como adotivos. Para mim são meus filhos de sangue." (S.S.)

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