MCM prevê superávit comercial de até US$ 6 bi
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 18 (AE) - Um salto de 6% nas exportações do País e uma queda de 17% nas importações, resultando um superávit de US$ 6 bilhões, já seria um "bom resultado" em para a balança comercial em 1999, segundo o diretor-presidente da consultoria MCM, Cláudio Adilson.
As commodities agrícolas, que poderiam alavancar um aumento substancial das exportações brasileiras, não apresentam boas perspectivas. De acordo com Adilson, o volume físico das commodities exportadas poderá aumentar no primeiro semestre, mas a receita cambial deverá cair já que o preço, no mercado internacional, das commodities está em baixa. Isso porque há retração forte no comércio mundial que levou a queda desses preços. O preço da soja já caiu 35%, de acordo com o consultor.
As previsões da MCM prevêem um crescimento da receita dos produtos semi-elaborados, como óleo de soja e açúcar. Os produtos manufaturados de baixo valor agregado, como suco de laranja, calçados e têxteis, podem apresentar um bom desempenho, mas não têm peso expressivo para a formação de um superávit. Os produtos de valor agregado maior, como eletrodomésticos e veículos, não apresentam perspectivas boas, já que a demanda está em baixa e os países asiáticos exploram esse mercado há muito tempo.
Segundo ela, a média diária das exportações em março de 1998 era de US$ 190 milhões. Estaria, neste mês, em US$ 170 milhões. Além da escassez da linhas de financiamento externas para exportação, essa queda seria, segundo Adilson, um reflexo do mercado mundial em retração.
Outra explicação possível para essa queda seria a cautela de parte dos exportadores que não estariam satisfeitos com o preço, em reais, das commodities em confronto com o custo de insumos. Esses exportadores estariam ganhando tempo na expectativa de um correlação mais favorável.


