MCIWorldCom diz que não pagará imposto atrasado da Embratel
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2000
Por Paulo Sotero Correspondente 
Washington, 12 (AE) - O presidente da MCIWorldCom, Bernard Ebbers, afirmou hoje que sua empresa, que comprou a Embratel por mais de US$ 2,7 bilhões em 1997, "não se sente de nenhuma maneira responsável pelo pagamento" de centenas de milhões de dólares em impostos atrasados que a Receita Federal lhe cobrou no ano passado, referente ao período em que a companhia telefônica de longa distância pertencia ao governo federal.
"Não sabemos nem de quanto é a dívida", disse Ebbers, durante almoço no National Press Club de Washington. De fato, a conta de imposto que a Embratel estatal deixou de pagar já foi avaliada em montantes que vão de US$ 350 milhões a US$ 1,3 bilhão.
"A Embratel era do governo e quando compramos não havia em seus livros essa obrigação tributária que agora nos apresentaram", afirmou ele. "Qualquer governo tem a responsabilidade de fornecer a contabilidade apropriada quando lhe vende algo", acrescentou ele. A afirmação sugere que, se há de fato uma conta de impostos pendurada do tempo da Embratel estatal, cabe ao governo federal entender-se com a Receita.
Ciente do impacto negativo que o caso pode ter para o programa de privatização, o Palácio do Planato interveio em outubro passado e pediu para a Advocacia Geral da República (AGR) examinar o assunto. A AGR já recebeus pareceres de vários ministérios e da Receita Federal. Sua decisão é esperada para os próximos dias.
Ebbers indicou também que o caso não afetou nem deve afetar os planos da MCI WorldCom de continuar no Brasil. No auge da controvérsia, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, criticou a MCI WorldCom e desafiou a empresa a vender a Embratel e deixar o País. Perguntado hoje se venderá a empresa se o governo insistir na cobrança dos impostos atrasados, Ebbers foi enfático. "De jeito nenhum", disse ele. Uma fonte da MCIWorldCom informou que a preocupação principal da empresa no Brasil, no momento, é preparar a venda da participação na Intelig da Sprint, ordenada pela Anatel, e que deverá ocorrer ainda este ano, se os reguladores das telecomunicações nos EUA autorizarem a compra da Sprint pela MCIWorldCom, anunciada no ano passado.


