MCI WorldCom fará notificação à Anatel sobre fusão com Sprint Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 25 (AE) - A MCI WorldCom , a empresa americana que comprou a Embratel, enviará amanhã às autoridades brasileiras uma notificação formal sobre o acordo de fusão que assinou no início do mês com a Sprint e suas possíveis repercussões no Brasil. As informações foram solicitadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no início do mês. A notificação tornou-se necessária porque o casamento das duas empresas de telecomunicações nos Estados Unidos provavelmente levará a um divórcio no mercado brasileiro de telefonia. A razão é que a Sprint detem 25% da Interlig, a empresa espelho criada para disputar o mercado de telefonia à distância com a Embratel. A Intelig deve entrar em operação em dezembro.
Fontes bem informadas disseram hoje que o documento de notificação não esclarecerá como a MCI WorldCom pretende encaminhar a participação da Sprint na Intelig. Isso só deverá acontecer depois que a Federal Communication Commission, agência reguladora das telecomunicações nos EUA, autorizar a fusão. A decisão é esperada para o início do ano que vem. No dia 7 passado, o diretor-conselheiro da Anatel, José Pereira Filho, aconselhou os outros sócios da Intelig (a francesa Telecom, que detem 25%, e a britânica Energy, do grupo National Grid, dona de 50% da ações ) a sugerir o afastamento da Sprint do controle da empresa até que sua fusão com MCI WorldCom nos EUA seja autorizada e abra caminho para a solução considerada a mais plausível: a venda da participação da Sprint na Intelig.
No momento, porém, a MCI WorldCom tem preocupações mais urgentes no Brasil: a controvérsia criada pela decisão da Receita Federal de cobrar dos atuais proprietários da Embratel US$ 1,3 bilhão em impostos relativos ao período em que a empresa era uma estatal. A empresa americana já informou às autoridades brasileiras que não se considera devedora do imposto e não pretende pagá-lo.
A MCI WorldCom evitou comentar o assunto hoje, nos EUA. Pessoas familiarizadas com a disputa reiteram que, durante o processo de licitação e antes da assinatura do contrato de compra da Embratel, pela qual se comprometeu a pagar US$ 2,7 bilhões ainda não totalmente desembolsados, a MCI WorldCom buscou e recebeu garantias de que não seria surpreendida pela cobrança de dívidas passadas da estatal, depois de assumir seu controle. O fato de o próprio governo, por intermédio da Receita Federal, apresentar-se agora como credor de impostos não pagos quando era o dono da Embratel - ou seja, de uma dívida que tinha consigo próprio - introduziu um elemento de surrealismo que pode prejudicar o processo de privatização.
"Obviamente, a MCI WorldCom não teria concordado em pagar US$ 2,7 bilhões ao governo brasileiro pela Embratel se soubesse que teria que teria de entregar mais US$ 1,3 bilhão ao mesmo governo", disse uma fonte próxima à empresa. Em outras palavras: A MCI WorldCom insistirá que concordou em comprar a Embratel por US$ 2,7 bilhões e não US$ 4 bilhões.





