Washington, 22 (AE) - As pesquisas de boca-de-urna indicavam, no início da noite de ontem, a possibilidade de uma apertadíssima vitória do senador John McCain sobre o governador do Texas, George W. Bush, nas primárias republicanas de Michigan. Como previsto, elas confirmavam também o favoritismo de McCain na prévia em seu Estado, o Arizona.
Em Michigan, o primeiro Estado industrial a realizar primárias
McCain tinha vantagem de até 2 pontos percentuais, dependendo da pesquisa, mas, em todas, a diferença entre os dois candidatos estava dentro da margem de erro estatístico e dificultava uma projeção segura dos resultados antes da contagem de uma parcela importante dos votos.
Se for confirmada, a vitória de McCain em Michigan o manterá na disputa e adiará seu duelo decisivo com Bush pelo menos até o dia 7 de março, quando os dois candidatos voltarão a medir forças em 14 Estados (a chamada "superterça-feira"), entre eles a Califórnia e Nova York, que têm os dois maiores colégios eleitorais do país.
Um herói da Guerra do Vietnã que é odiado pelos líderes republicanos por causa de suas posições independentes, McCain surpreendeu Bush, o preferido da máquina partidária nas primárias de New Hampshire, no início do mês. O senador venceu por uma diferença de 18 pontos porcentuais, apesar de ter recebido apenas um sexto dos US$ 70 milhões que o governador do Texas levantou em fundos para sua campanha.
McCain, que se apresenta como líder de uma cruzada reformista, teria provavelmente liquidado as chances de Bush se tivesse vencido na Carolina do Sul, no sábado. Mas perdeu por uma margem de 11 pontos porcentuais, depois de uma campanha dominada por ataques pessoais e que causou enorme ressentimento entre os candidatos.
A viabilidade da candidatura rebelde de McCain, que é apoiada mais por eleitores independentes do que por republicanos, dependia de forma crucial dos resultados em Michigan. Não é certo que um triunfo apertado de McCain no Estado levaria os financiadores de Bush a mudar de candidato ou comprometeria a posição do governador do Texas.
Assessores do senador no Arizona disseram ontem, no fim da tarde, que, na ausência de uma vitória ampla de Bush em Michigan
onde conta com o apoio do popular governador do Estado, John Engler, McCain levará adiante sua campanha.
"Acho que Bush continua a ser o favorito para ganhar a candidatura republicana, mas se ele não derrotar McCain em Michigan por uma boa margem sua vulnerabilidade como candidato continuará exposta e ele se enfraquecerá para disputar a eleição presidencial, em 7 de novembro, pois as pessoas verão que, apesar de todo o dinheiro e de todo o apoio que tem de seu partido, ele não é capaz de vencer primárias de maneira convincente", disse à Agência Estado Thomas Mann, cientista político da Fundação Brookings.
O vice-presidente Albert Gore venceu seu único desafiante, o ex-senador Bill Bradley, de New Jersey, em duas primárias e sua posição não parece estar ameaçada.

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