Washington, 06 (AE) - O Brasil e os outros três países que o general Barry McCaffrey visitará no final deste mês têm um problema em comum: estão sob a mira dos narcotraficantes, cuja atuação na América Latina tem aumentando, graças à proteção da guerrilha colombiana.
"Nos últimos dois anos, a utilização do Brasil e da Argentina como rotas para o tráfico de drogas tem aumentando de forma intensiva", disse o general, que dirige o Escritório Nacional de Política de Controle de Drogas dos Estados Unidos.
"A Colômbia hoje é o centro de gravidade da indústria da coca", disse McCaffrey. "Mas esse problema afeta tanto a Colômbia quanto seus vizinhos, e em muitos aspectos", explicou.
Para os colombianos - que não têm como lutar contra a guerrilha, que obtém entre US$ 100 milhões a US$ 500 milhões anuais, cobrando pedágio dos trafricantes de drogas em troca de proteção -, o problema, além de político e social, é hoje econômico. "O país está com um índice de desemprego de 20% e com um peso desvalorizado em 45%", disse McCaffrey.
Mas o Peru, cujo presidente Alberto Fujimori logrou liquidar a guerrilha Sendero Luminoso e reduzir em 56% o cultivo de coca, também está sendo prejudicado. "Os traficantes têm se adaptado a novas circunstâncias e estão voltando a ocupar terras peruanas", disse.
A Bolívia corre o mesmo risco: de ver os esforços do presidente Hugo Banzer darem poucos resultados.
Quando visitar Brasil, Argentina, Peru e Bolívia nas próximas semanas, McCaffrey discutirá forma de conter a ameaça regional. "Não falaremos apenas do controle do espaço aéreo, mas também do controle de lavagem de dinheiro e do comércio de químicos precursores (utilizados na fabricação de cocaína)", explicou.
O general, que descartou uma intervenção militar na Colômbia, falou também na necessidade de encontrar "formas alternativas" para apoiar a polícia e o exército da Colômbia. Entre elas, ajuda financeira dos países ricos da Europa - o destino final das rotas de cocaína que passam pelo Brasil e pela Argentina.

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