Mc Donald's abre quiosque de sorvetes na Rocinha
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 28 (AE) - A Rocinha ganha amanhã (29) o primeiro empreendimento comercial de uma rede multinacional, com a inauguração de um quiosque McDonalds. A loja, de apenas dez metros quadrados, no andar térreo de um sobrado, é também a primeira experiência da rede de fast food em favela, em 20 anos de atuação no Brasil. E demonstra duas tendências: a procura de grandes empresas por ampliação de clientela entre a população de baixa renda e a diversificação do comércio em favelas.
Hoje, ao lado das barracas de feira armadas diariamente para a venda de produtos típicos do Nordeste, há lojas de revelação de filmes, de venda de telefones celulares, choperia, academia de ginástica, uma rede de oito pastelarias e pontos de comércio tradicional como armarinhos e açougues. A Rocinha tem 1.215 empresas, cujo faturamento ainda não é conhecido, segundo pesquisa divulgada pela Prefeitura este ano. A maioria teve suas atividades iniciadas na própria favela, mas este perfil está mudando.
"Muitos empresários de fora estão começando a investir aqui", diz Jorge Colare, presidente da Associação Comercial da Rocinha. O quiosque do Mc Donalds - rede que faturou no Brasil, no ano passado, R$ 1,1 bilhão - é uma experiência-piloto criada para medir demanda. Por enquanto, venderá somente sorvetes e a direção da rede informa que, se o projeto der certo, poderá ser estendido a outras áreas similares.
Ao contrário do que costuma acontecer na favela, os engenheiros que acompanharam a obra, concluída em duas semanas, disseram que não houve necessidade de pedir permissão para trabalhar no local. "Este foi um dos lugares mais tranquilos onde trabalhei", diz Adérito Rocha Jr, sócio da Arquitetus, firma contratada para a obra.
Mas a loja ocupa a chamada zona nobre da Rocinha, o Largo do Boiadeiro. Com uma população estimada entre 150 mil e 200 mil moradores, a favela, alçada à condição de bairro por um decreto municipal de 1992, é dividida em classes, como uma pequena cidade. O largo, na entrada, próximo à estrada Lagoa-Barra, em São Conrado, é o ponto da classe média, com prédios de até quatro andares e moradias equipadas com eletrodomésticos como ar condicionado.
Nesta área está concentrada a maioria dos investimentos de comércio e serviços. Um dos mais recentes é a empresa Moto Express Man Service, uma rede moto-táxis. O dono, Rafael Matoso, de 22 anos, copiou a experiência iniciada por um nordestino, conhecido na favela como "Fabuloso". Atualmente tem 20 empregados e fatura por mês em torno de R$ 3 mil, segundo declarou. Os "mototaxistas" dispõem de uma tabela de atendimento para 15 diferentes pontos da Rocinha e outros 15 em bairros próximos.


