Mbeki defende estratégia alternativa para a aids
Washington, 19 (AE-ANSA) - O presidente da áfrica do Sul, Thabo Mbeki, desencadeou uma disputa internacional sobre a aids, com uma série de cartas ao presidente dos EUA, Bill Clinton, e a outros líderes mundiais, nas quais defende o direito dos sul-africanos de adotar teorias alternativas na luta contra a doença.
Nas cartas, Mbeki defende especialmente a teoria do biólogo norte-americano Peter Duesberg, segundo a qual não é o vírus HIV que provoca a aids, mas, no caso dos países em desenvolvimento, a subnutrição e a falta de higiene.
A opinião de Mbeki é importante porque a áfrica do Sul sediará em julho o próximo congresso mundial sobre a aids. Além disso, mais de 4,2 milhões de sul-africanos (cerca de 1 em cada 10 habitantes) são soropositivo.
O governo da áfrica do Sul negou-se a distribuir AZT às mulheres grávidas, justificando que o medicamento é demasiado caro e sua eficácia ainda não está comprovada.
Em sua mensagem, que tomou de surpresa a administração Clinton, Mbeki afirma que "constituiria uma traição criminal de nossa responsabilidade com nosso povo" imitar a atitude ocidental na luta contra a aids. O mandatário defende o direito de seu país de consultar cientistas que reivindicam teorias "dissidentes" sobre as causas da aids.
O presidente sul-africano afirma ainda que as críticas contra a política de seu governo, dirigidas por diversos setores internacionais, constituem "o começo de uma campanha de terrorismo e intimidação intelectual", não muito diferente "da tirania do apartheid que combatemos por tanto tempo".
Mbeki prega uma "estratégia africana" para combater a difusão da aids no continente. Isto porque, enquanto nos países ricos os enfermos podem se tratar com coquetéis que custam até US$ 10.000 ao ano, nas áreas rurais da áfrica do Sul, onde a população tem dificuldade para conseguir comida, tal solução parece impossível de ser proposta.
As cartas de Mbeki, escritas a mão, seriam o fruto de uma série de pesquisas realizadas pelo próprio presidente na Internet, incluindo os sites que expõem as polêmicas teorias de Duesberg.
O presidente do Conselho de Pesquisa Médica da áfrica do Sul, Malegapuru Makgoba, afirmou ter ficado chocado com a defesa de Mbeki. "Acho que estamos apenas criando uma imagem (de nós mesmos) embaraçosa para o mundo.





