Leandro Donatti
De Curitiba
A economia do Paraná foi suportada durante anos pelo poder público e na era da globalização não resiste à estrutura das multinacionais. Esta foi uma das ponderações levantadas ontem à noite pelo jornalista e articulista da Folha do Paraná/Folha de Londrina, Luiz Geraldo Mazza, em Curitiba. Mazza falou sobre a sua tese de ‘‘desparanização’’ na sede da Associação Comercial do Paraná (ACP) para uma platéia de empresários, dando continuidade aos debates em torno da campanha ‘‘Paraná tem talento’’.
Segundo Mazza, o processo de dependência da economia paranaense começou na década de 60 e passa a ser rompido com a entrada cada vez maior de capital estrangeiro. ‘‘O Estado criou uma fonte insubstituível de financiamentos e programas. Porém, estamos entrando numa época de privatização, onde a presença do Estado é cada vez menor. A globalização está a풒, observou. Para Mazza, o processo de ‘‘desparanização’’, perda de empresas paranaenses, está ocorrendo pelo rompimento da base de apoio.
O colunista defendeu, entre outras coisas, a implantação de um programa de ação para ajustar a economia nesse momento de transição. O jornalista e articulista da ‘Folha’ pregou ainda necessidade de uma mobilização política em favor do Paraná mais acentuada. ‘‘O Paraná dá seguidas demonstrações de falta de comando de suas lideranças. Da década de 50 para cá, tivemos ministros desde a Saúde até a Educação. Porém, nunca nenhum deles usou a função para defender medidas que resguardam o Estado’’, afirmou.
‘‘Estou assustado, porque as nossas empresas estão desaparecendo cada vez mais’’, disse Mazza à platéia, ao comentar a instalação de empresas de fora no Estado. ‘‘O processo de industrialização não está surtindo os efeitos esperados. Não houve resposta ainda quanto ao aspecto social do processo, a geração de empregos por exemplo. A malha produtiva deixa a desejar. E temos de repensar isso tudo que a questão não fuja do controle’’, sugeriu Luiz Geraldo Mazza.

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