Maxion inaugura nova linha de motores automotivos
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Canoas (RS), 01 (AE) - A Maxion International Motores inaugurou hoje sua nova linha de motores diesel, de oito cilindros (V-8) com 175 a 250 cavalos de potência, destinados à picapes de grande porte, caminhões e ônibus médios. A unidade, fruto da "joint-venture" entre a lochpe-Maxion e a divisão de motores da Navistar International, exigiu um investimento de US$ 13 milhões e deverá gerar uma receita líquida inicial ao redor de US$ 100 milhões anuais.
O diretor superintendente da Maxion International Motores, Waldey Sanchez, explicou que a linha tem capacidade para fabricar até 75 mil motores por ano, em três turnos. A produção inicial será totalmente destinada à exportação, pois a empresa já tem contrato para fornecer 100 mil motores em quatro anos para a Navistar International, nos Estados Unidos (EUA), garantindo uma receita de US$ 400 milhões no período.
Com a incorporação do novo produto, a receita líquida da companhia deverá avançar de cerca de US$ 170 milhões em 1999 para US$ 250 milhões no ano que vem, informou o presidente do grupo lochpe-Maxion, Dan loschpe. Conforme Sanchez, a empresa também está negociando o fornecimento dos motores para montadoras no Brasil. "Queremos ser líderes no segmento de 175 a 250 HP, no qual até então não atuávamos", afirmou o executivo.
Segundo ele, os motores fabricados em Canoas (RS) terão a mesma qualidade e tecnologia dos que são produzidos pela Navistar International, nos EUA. Com alto índice de automatização, a nova linha absorverá 65 trabalhadores que seriam afastados em função da queda do mercado nacional do setor.
Um dos potenciais compradores do novo produto é a "joint-venture" constituída entre a empresa gaúcha Agrale e a divisão de caminhões da Navistar International, em Caxias do Sul (RS). Os veículos produzidos no Estado utilizam motores de seis cilindros, importados desmontados (CKD) pela Maxion International, mas poderão ser adaptados para receber os V-8. Os próprios seis cilindros deverão ser produzidos em Canoas "no futuro", adiantou o diretor de desenvolvimento de negócios do grupo norte-americano, Gary Beardsley.
De acordo com Beardsley, a importação de 25 mil unidades por ano da nova linha fabricada no Rio Grande do Sul (RS) pela matriz servirá para atender à demanda "muito forte" nos EUA. Hoje, a Navistar International produz 300 mil motores por ano, em Indianapolis, no Estado de Indiana (EUA).
Sanchez revelou ainda que, em junho do ano que vem o grau de nacionalização dos novos motores de oito cilindros deverá superar 60%. De acordo com ele, foram desenvolvidos 50 fornecedores do Mercosul, a maioria brasileiros, que terão a "oportunidade" de entrar na rede global de suprimentos do grupo norte-americano.
Além da fábrica de Canoas (RS), a Maxion International produz, em Córdoba (Argentina), motores diesel de alta rotação ("high-speed") para a Mercedes-Benz e as picapes Ford Ranger. "Vamos produzir 18 mil unidades na Argentina este ano", informou Sanchez. A fábrica tem o dobro dessa capacidade, já incluída a transferência da produção da totalidade dos motores fornecidos para a Ford, há duas semanas. Instalada em 1994, a planta já recebeu investimentos de US$ 18 milhões até agora.
Negociação - Ioschpe informou que o grupo reduzirá para US$ 30 milhões o seu endividamento líquido em dólar no final do ano. A posição no final do terceiro trimestre era de US$ 80 milhões, mas foi reduzida graças a uma "troca" de dívida em dólares por reais, proporcionada pela recomposição negociada em novembro com um grupo de bancos nacionais, informou o empresário.
Durante a inauguração da nova linha de motores diesel da joint venture Maxion International, loschpe informou que o endividamento total do grupo mantém-se ao redor de R$ 200 milhões. Esse valor já exclui US$ 36 milhões obtidos com a venda da participação na controlada norte-americana Midland Steel Products em agosto. As Informações Trimestrais de Resultado (ITR) da Iochpe-Maxion de 30 de setembro apontam R$ 207 milhões em empréstimos e financiamentos, sendo quase R$ 196 milhões no curto prazo. O patrimônio líquido era de R$ 168,7 milhões e o prejuízo acumulado no ano foi de R$ 60,3 milhões. Em contrapartida, a empresa apresentava R$ 50,5 milhões entre caixa
bancos e aplicações.
Para este ano, a Iochpe-Maxion estima um faturamento consolidado (incluindo os 50% da Maxion International e as operações nos segmentos ferroviário, de chassis e componentes automotivos) de R$ 600 milhões, informou o empresário. A redução em relação aos R$ 770 milhões de 1998 deve-se, segundo ele, à venda da participação na Midland Steel. Em 2000 haverá o acréscimo da parte do faturamento da nova linha de motores que cabe ao conglomerado.
Ioschpe reiterou que o grupo está negociando associações com parceiros internacionais "de primeira linha, como a Navistar", em todos os segmentos em que ainda atua sozinho. Ele não fez previsão sobre quando deverá ser anunciada a próxima parceria, pois o prazo depende também das "inseguranças" macroeconômicas do Brasil e do Mercosul. "Desejamos fazer o mais rápido possível", garantiu.
O empresário também negou as especulações do mercado, de que o possível sócio para o setor ferroviário seria a norte-americana Johnstown America, que transferiu tecnologia para a fabricação de vagões de alumínio vendidos à Ferronorte. "Temos uma excelente parceria tecnológica, mas não houve nenhuma conversa sobre associação", afirmou.


