Curitiba-Desde os dois anos de idade, Eduardo Vicente Gnipper, 19 anos, não come carne. Para ele, o hábito sempre foi natural já que é uma opção alimentar de toda a família - os pais e mais duas irmãs. ''O mais difícil, na época da escola, era ter que argumentar nas aulas de Ciências e de Biologia com os professores, que afirmavam que comer carne era indispensável para a boa saúde'', lembra ele.
O jovem diz que não consome carne por motivos como os maus-tratos e violência contra os animais e os danos ambientais e sociais decorrentes da cultura de criação e matança de bichos, como a poluição de rios, desmatamento e a fome ambiental.
''Carne é um item caro. É difícil as pessoas terem todo dia na mesa. Mesmo assim elas não se imaginam parando de comer porque não querem renunciar este prazer. Isso é um fato egoísta '', opina o estudante. ''A maioria não tem a sensibilidade de que animal tem direitos e não associam a diversas verdades sobre o assunto porque não têm conhecimento mesmo. Muitos acham que o vegetarinismo está ligado a questões de saúde, religião, amor aos bichos e só. Mas vai além disso'', explica ele, que tornou alguns amigos adeptos da dieta vegetariana.
A mãe de Eduardo, a psicóloga Rosana Gnipper, de 49 anos, também coloca como fator primordial para a escolha da dieta o amor pelos animais. Ela, inclusive, é presidente da entidade SOS Bicho. ''O vegetarianismo não é minha bandeira de trabalho. Mas pergunto quem decidiu que tal animal é para corte e outro é para ser doméstico, será que o ser humano tem essa bola toda? A gente está muito mais para tutelá-los do que para usá-los. Eles não foram feitos para nos servir, para nos divertir'', defende Rosana, que tem em casa 13 cachorros e 47 gatos. ''Fui criada com bichos dentro de casa, ao mesmo tempo, que tinha carne no prato, até que bateu na consciência. Não fazia sentido'', conta.
Há 18 anos, ela fez a mudança de hábito de forma tranquila, eliminando a carne e introduzindo novos grãos, cereais e legumes. ''Fui estudar e buscar receitas, até porque tinha filho pequenos. Nunca os proibi de comer carne. É uma decisão que deve partir da pessoa. Eles sempre foram os únicos vegetarianos da escola'' conta.(F.G.)

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