Mauro Janene vai a júri hoje
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quinta-feira, 04 de dezembro de 2014
Lucio Flávio Cruz<br> Reportagem Local 
Londrina Após 14 anos, a Justiça tem mais uma oportunidade hoje para esclarecer a morte da professora Maria Estela Correa Pacheco, em 2000. O julgamento do pecuarista Mauro Janene, acusado do crime, acontece a partir das 8h30 no Tribunal do Júri do Fórum Criminal de Londrina.
Este é o quinto julgamento marcado na tentativa de apresentar um veredito. Os outros quatro anteriores foram adiados, motivados por diversas alegações da defesa do acusado, como licença médica, não localização de testemunhas e conflito de agendas.
Para o promotor de Justiça da 1ª Vara Criminal de Londrina, Ronaldo Costa Braga, o processo está pronto e não há motivos para um novo adiamento do júri. "O processo está perfeito e o Ministério Público não vê subsídios para que o julgamento não aconteça desta vez. Todos os adiamentos são estratégias da defesa para prorrogar o caso. Mas é bom lembrar que este crime vai se tornar prescrito só em 2022 e até lá o júri será realizado", frisou Braga.
A última audiência estava marcada para o dia 8 de abril deste ano e foi adiada já que a defesa alegou que uma das testemunhas não havia sido localizada para ser intimada e que esse depoimento seria importante para a continuidade do processo. Os três primeiros júris haviam sido marcados para o ano de 2011.
A expectativa da promotoria é que o julgamento se prolongue durante todo o dia e que o veredito deve ser conhecido no final da noite. "Por se tratar de apenas um réu e um crime, normalmente a audiência terminaria durante a tarde, mas por se tratar de um caso de grande repercussão e de muitas testemunhas, acredito que o júri será encerrado apenas à noite", ressaltou o promotor.
O MP denunciou Mauro Janene por homicídio simples e fraude processual, alegando alteração no local do crime. A reportagem procurou o advogado de defesa, Mauro Viotto, mas foi informada de que o advogado estava de licença médica e por isso não poderia se pronunciar.
Por parte da família, a expectativa é que o julgamento finalmente aconteça. A única filha da vítima, a advogada e jornalista Laila Pacheco Menechino, 29 anos, entende que não existem mais argumentos por parte da defesa para um novo adiamento. "A expectativa é muito grande para o júri. Essa impunidade é tão ruim e machuca tanto quanto a morte da minha mãe. Toda vez que se marca um novo julgamento, revivemos o crime e toda a dor. É hora de esclarecer tudo que aconteceu naquela noite", cobrou.
Laila se diz preocupada com o período longo que se passou depois do crime e com a dificuldade para se buscar provas no início do processo. "Não tem um laudo que comprove a causa da morte. Só o réu sabe exatamente o que aconteceu e, diante disso, não dá para ter certeza se ele será condenado ou não", frisou.
"O acusado tem que responder sobre o que aconteceu naquele dia, sobre o por que do corpo lançado do 12º andar já estar desfalecido. São essas as respostas que a família gostaria de ver respondidas para iniciarmos um novo tempo", colocou a professora Maria Eliza Pacheco, irmã da vítima.
Caso
O crime aconteceu no fim da madrugada do dia 14 de outubro de 2000, um sábado. Maria Estela Pacheco foi encontrada morta no pátio do edifício Diplomata, onde residia o namorado Mauro Janene, localizado na Rua Paranaguá, no Centro.
Em depoimentos, o pecuarista apresentou versões contraditórias. Inicialmente, relatou que a professora teria cometido suicídio. Posteriormente, revelou que a vítima teria caído, do 12º andar, enquanto eles brincavam próximo à sacada do apartamento. Perícia do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a professora foi morta e depois jogada pela sacada.


