Apesar do interesse de Mauro Janene, o juiz responsável pelo caso indeferiu o pedido apresentando como justificativa a necessidade do julgamento de recursos
Apesar do interesse de Mauro Janene, o juiz responsável pelo caso indeferiu o pedido apresentando como justificativa a necessidade do julgamento de recursos | Foto: Gustavo Carneiro/21-3-2018

Marcado por reviravoltas e uma longa demora para o julgamento, o caso da morte da professora Estela Pacheco tem um novo capítulo. O pecuarista Mauro Janene Costa, acusado e condenado por homicídio doloso, julgado em março de 2018, decidiu pedir para a Justiça para cumprir imediatamente a pena de 10 anos e seis meses de reclusão. Segundo o advogado de defesa, Clayton Rodrigues, ele afirma que a decisão não é uma confissão de culpa. “Não iremos abrir mão dos recursos e buscar instâncias superiores”, explicou Rodrigues. No documento encaminhado ao juiz responsável pela sentença, Luiz Carlos Fortes Bittencourt, substituto da 1ª Vara Criminal de Ponta Grossa, a defesa afirma o motivo da decisão. “Por causa do tempo demandado por todos os trâmites processuais inerentes ao processo, tem se instaurado uma situação bastante penosa para o réu, sobretudo diante da demora para o inevitável início de cumprimento da pena que lhe foi imposta”, explica o texto.

Apesar do interesse de Mauro Janene, o juiz responsável pelo caso indeferiu o pedido apresentando como justificativa a necessidade do julgamento de recursos. “O imediato cumprimento da pena, antes do julgamento, além de haver impossibilidade técnica na expedição da guia de execução, poderá acarretar consequências desfavoráveis ao requerente, como a duplicidade de registro de condenações”, afirmou Bittencourt em sua decisão. O pedido que impossibilitou o imediato cumprimento da pena se deve ao fato de a decisão do júri não ter sido unânime, o que permitiu o pedido à segunda instância dos embargos infringentes, que podem modificar a pena. A filha da professora Estela Pacheco, a jornalista e advogada Laila Menechino, afirmou ter se surpreendido com a decisão de Mauro Janene. Ela não esperava que ele tomasse essa atitude. “Eu tive a sensação de vitória ao ver o resultado do julgamento depois de tantos anos de espera. Agora, óbvio que há um período a esperar para que ele cumpra a pena”, afirmou.

A professora Estela Pacheco foi encontrada morta em outubro de 2000, no pátio de um prédio no centro de Londrina. Segundo relatos, ela estava no apartamento no 12º andar, que era da família de Mauro Janene, com quem tinha um relacionamento amoroso. O laudo da necrópsia indicou que a vítima já estava morta quando foi jogada pela varanda. A versão sustentada por Janene é diferente. Em seu julgamento, ele afirmou ter bebido e fumado maconha com Estela, mas negou que eles tinham um relacionamento. Para o júri, ele ainda garantiu que Estela estava sonolenta na sacada. Ele a pegou no colo e levantou. Em seguida, ela teria escorregado dos seus braços. Na época do crime, o pecuarista chegou a ser preso por cinco dias, mas conseguiu ser solto e passou a responder ao processo em liberdade, condição que permanece ainda hoje, praticamente 19 anos depois do fato.

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