Maurice Greene prepara-se para brilhar em Sevilha
Sevilha, 20 (AE-AP) - Com os norte-americanos Maurice Greene e Marion Jones na pista do Estádio Olímpico de Sevilha, começa amanhã o desfile das principais estrelas mundiais do esporte. O atletismo vai desviar sua atenção dos escândalos de doping, que foram o tema da semana, e fixá-la novamente no esporte, que arranca para a sétima edição do Campeonato Mundial, com 2 mil atletas de 205 países competindo por 138 medalhas e US$ 5 milhões em prêmios.
Amenizada a polêmica do doping, hoje foi a vez do protesto político. Na cerimônia de abertura do Mundial, presidida pelo príncipe Felipe, duas pessoas disfarçadas como mascotes do evento exibiram uma faixa em que exigiam a repatriação de prisioneiros bascos. A TV mostrou o protesto para o mundo inteiro. Os manifestantes foram retirados por seguranças.
Na pista, Greene e Jones começam o que esperam ser um dos torneios mais marcantes de suas carreiras. Ambos competem nas eliminatórias dos 100 metros rasos e Jones ainda participará das preliminares do salto em distância, que também terá a brasileira Maurren Maggi.
Greene, o homem mais rápido do planeta desde que correu os 100 metros, em junho, em Atenas, em 9s79, tem a expectativa de baixar esse tempo, com nova quebra de recorde. Também buscará o ouro nos 200 metros e no revezamento 4 x 100 m, com a equipe dos Estados Unidos. Ele soma o respeito que provoca nos outros atletas à velocidade, o que o torna quase imbatível. Quando o corredor, de 26 anos, entrar no Estádio Olímpico, amanhã, para iniciar a defesa do título mundial, a única pergunta será quem vai ficar com a prata e o bronze.
"Maurice domina os 100 metros como Michael Johnson faz nos 400", explicou o manager de Greene, Emmanuel Hudson. "Além de seus companheiros de treinos, os outros não acreditam que possam derrotá-lo." Em apenas dois anos, Greene tornou-se o homem mais rápido da história do atletismo. O lendário Carl Lewis conseguiu correr os 100 m abaixo dos 10 segundos em 15 oportunidades. Desde 1997, Greene fez isso 22 vezes. Só Frankie Fredericks tem uma marca melhor, com 26 provas corridas abaixo dos 10 segundos, mas em oito anos. Greene, o "cometa do Kansas", não teve um momento ruim desde o recorde.
A ausência do atleta de Trinidad e Tobago, Ato Boldon, amigo e companheiro de treino, por causa de um estiramente muscular, torna mais fácil a tarefa de tentar o duplo ouro nos 100 m e nos 200 m. "Na pista, ele é um estímulo para mim, porque pode correr tão rápido quanto eu", afirmou Greene. "Penso que se as condições forem boas posso baixar o recorde mundial para 9s76", afirmou. "Me disseram que é uma pista rápida e quero comprovar isso, apesar de achar que a presença Ato seria de grande ajuda para o meu objetivo."
Greene garante que não está interessado em substituir Lewis como o melhor velocista da história do atletismo. Correr o mais rápido possível é o que interessa.
Ao lado de Marion Jones, Greene é figura dominante num Mundial que não terá o cubano Javier Sotomayor no salto em altura, a velocista jamaicana Merlene Ottey, o inglês Linford Christie e o norte-americano Dennis Mitchell, todos com resultados positivos para substâncias proibidas em exames antidoping feitos antes da competição.
Mas o Mundial terá outras estrelas, como o norte-americano Michael Johnson nos 400 m, o marroquino Hicham El Guerrouj nos 1.500 m e o etíope Haile Gebrsselassie nos 10 mil m.
O programa do primeiro dia do Mundial, que vai até o dia 29, terá três medalhas de ouro em disputa: salto com vara feminino, arremesso do peso masculino e marcha atlética, 20 quilômetros, masculina. O duelo dos mexicanos Daniel García, Bernardo Segura e Alejandro López com o guatemalteco Julio Martínez e o equatoriano Jefferson Pérez, na marcha, será o destaque das finais de amanhã.





