Brasília, 27 (AE) - O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Cláudio Mauch não contestou hoje o cálculo feito pelo relator da CPI dos Bancos, João Alberto Souza (PMDB-MA), de que o prejuízo do BC com a ajuda aos bancos Marka e FonteCindam e aos fundos de investimentos que administravam foi de R$ 1,574 bilhão.
"Não vou contestar o número, mas acredito que só se pode avaliar as operações feitas se voltassemos àquela situação, em que o Banco Central estava defendendo a política de banda cambial", disse. "Agora, a avaliação pode ser negativa".
Mauch explicou que o Banco Central não atua como as instituições financeiras, que só visam o lucro. "Como autoridade monetária, o BC se preocupa com a defesa da política do governo e naquele momento estava lutando para sustentar a política de banda cambial e para defender o real", argumentou.
Mauch disse que em outras ocasiões, como na crise da ásia, o Banco Central ganhou muito dinheiro em suas operações no mercado futuro de dólares na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). De acordo com ele, o mercado apostou que o governo mudaria a sua política cambial e isso não aconteceu. "Naquela época, o País ganhou a queda de braço contra o mercado", afirmou.
Em janeiro, no entanto, Mauch disse que "o Brasil não conseguiu suportar o ataque a sua moeda". Para ele, "desta vez o governo perdeu e isso significa sem dúvida nenhuma que o houve um custo para o País".
O relator João Alberto Souza estimou que somente com o Banco Marka o prejuízo do Banco Central somou R$ 895,873 milhões. Com o Banco FonteCindam, incluindo os fundos que essa instituição administrava, o prejuízo foi de R$ 522,348 milhões. Com o fundo Marka-Nikko, o relator estimou uma perda do BC de R$ 156,584 milhões. João Alberto distribuiu aos senadores a tabela com as perdas do BC, que mostra como foi feito o cálculo.

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