Mauch diz que operações visaram à credibilidade do governo
Brasília, 27 (AE) - O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Cláudio Mauch disse há pouco, na CPI dos Bancos, que as operações feitas pelo BC para socorrer os Bancos Marka e FonteCindam foram para "a recuperação da credibilidade" do governo. Mauch afirmou que, no período de troca da presidente do Banco Central (Gustavo Franco sendo substituído por Francisco Lopes), o mercado estava "muito tenso, bastante nervoso". Segundo o ex-diretor do BC, o governo e os organismos internacionais vinham reafirmando que o Brasil não mudaria a política cambial, e começaram a aparecer boatos de troca de comando no BC e, consequentemente, de alteração no regime de câmbio, já que o então presidente do BC (Gustavo Franco) defendia a manutenção da política cambial, enquanto seu sucessor (ainda não conhecido) viria a defender a desvaloriziação do real frente ao dólar. Em consequência desses boatos, segundo Mauch, houve saída de reservas. Nesse ambiente, disse o ex-diretor de Fiscalização, o BC teve notícias de instituições que estavam com dificuldade de zerar posições na BM&F, uma vez que o mercado estava sem liquidez. Segundo Mauch, a inadimplência de uma instituição junto à BM&F determinaria uma comunicação ao Banco Central, o que seria suficiente para a liquidação extrajudicial dessa instituição. Diante dessa dificuldade do governo em recuperar a credibilidade e ante a falta de possibilidade de algumas instituições de zerar suas posições, a Diretoria do Banco Central, de forma colegiada, decidiu aprovar as operações de socorro ao Marka e ao FonteCindam depois que a legalidade delas foi atestada pelos procuradores do BC. Após a realização dessas operações, o Banco Central lutaria, segundo Mauch, para defender a política cambial.





