Mauch diz que não teve acesso a bilhete de Cacciola a Lopes
Brasília, 27 (AE) - O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) Cláudio Mauch afirmou há pouco, em seu depoimento à CPI dos Bancos, que nunca teve nas mãos o original do bilhete escrito pelo dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola, ao então presidente do BC, Francisco Lopes. No bilhete, Cacciola pede a Lopes que intervenha no sentido de tornar "menos rigorosa" a postura de Mauch nas negociações em que o Banco Marka pedia socorro. "Não conheço esse bilhete, não sei se ele existe, não posso falar sobre ele, nunca o vi nem o recebi", afirmou, inicialmente, Cláudio Mauch. O relator da CPI, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), ofereceu-se para lhe mostrar o bilhete. Mauch disse, então, que tinha visto reprodução do bilhete nas revistas, embora nunca tenha tido acesso ao original. Sobre o rigor que lhe foi atribuído por Cacciola, comentou apenas que "a Fiscalização do Banco Central tem que ser e é rigorosa". Acrescentou que os fiscais do BC são sempre "rigorosos e conservadores". O ex-diretor disse que é difícil medir neste momento o risco sistêmico que estaria havendo naquela ocasião, mas o BC resolveu abrir a possibilidade de ajudar as instituições em dificuldade. Mauch estabeleu distinção entre a ajuda ao Marka e o auxílio prestado pelo BC ao FonteCindam. Disse que o Cindam tinha condições de comprar dólares à vista para fechar suas posições, mas não podia fazê-lo porque a BM&F estava "travada", com volume pequeno de negócios. Já o Marka, segundo Mauch, havia declarado sua incapacidade de ir ao mercado para fazer as operações. O ex-diretor do BC enfatizou que ele deplora as denúncias de que teria havido vazamento de informações por parte de funcionários do Banco Central. "Nenhum país do mundo pode ter um Banco Central com a suspeita de que não seja uma casa correta", disse Mauch, afirmando que as denúncias precisam ser investigada s, para ser comprovadas ou declaradas improcedentes para que não possa "pairar dúvida" sobre o BC.





