Mauch defende operações de socorro do BC em depoimento à CPI
Brasília, 27 (AE) - O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) Cláudio Mauch defendeu hoje, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro, as operações de socorro do BC aos Bancos Marka e FonteCindam efetuadas em janeiro. A decisão do BC de assumir posições vendidas de contratos futuros de dólar dos dois bancos por cotação inferior à praticada na ocasião no mercado físico, de acordo com Mauch, foi perfeitamente legal e tem de ser entendida dentro do contexto em que foi feita, ou seja, em meio ao processo de mudança na presidência do BC e de alteração da política cambial.
"O mercado estava nervoso", disse Mauch. Segundo ele, se a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) comunicasse ao BC a inadimplência de alguma instituição financeira, o BC teria de liquidar o banco e era isso justamente o que se procurou evitar naquele momento.
Na maior parte do depoimento, Mauch limitou-se a responder às perguntas do relator, senador João Alberto (PMDB-MA), sobre três assuntos: as operações com o Marka e o FonteCindam, os motivos que o levaram a anunciar sua saída do BC em 14 de janeiro - um dia após o alargamento da banda cambial - e a suposta ingerência do então presidente do BC, Francisco Lopes, para que ele fosse menos rigoroso com o Marka, conforme sugere bilhete do dono da instituição, Salvatore Cacciola.
"Não conheço o bilhete, nunca o vi e não sei se ele existe", declarou Mauch, em resposta ao relator. O ex-diretor de Fiscalização do BC explicou que só tomou conhecimento da existência do bilhete por intermédio da imprensa e garantiu não ter recebido nenhuma pressão para determinar ao pessoal que fiscalizava o banco para ser menos rigoroso. Mauch tentou esclarecer a operação com o Marka e o FonteCindam do ponto de vista técnico, o que, aparentemente, não satisfez os senadores.
A explicação do ex-diretor foi que o valor de R$ 1,2750 foi o maior possível para que o Marka conseguisse pagar todos os seus compromissos e zerar a sua posição, ou seja, ficar sem patrimônio líquido. Com relação ao FonteCindam, Mauch argumentou para os senadores que o banco tinha condições de comprar dólares no mercado à vista e, por isso, também a opção de vender no mercado futuro.
"O Banco Central não age com relação a uma ou outra instituição financeira", disse. De acordo com Mauch, o voto da diretoria do BC foi institucional, ou seja, autorizava o banco a fazer a mesma operação com quantas instituições financeiras aparecessem. "Só o banco Marka e o Fonte Cidam procuraram o BC", afirmou.
Mauch não soube explicar, para o relator, o porque da diferença de 50 contratos entre os informados pelo BC à CPI e os declarados pelo controlador do banco Marka à Polícia Federal.
"Creio que o Banco Central poderá explicar, pois todos os documentos são assinados por alguém", disse. Segundo o ex-diretor, o anúncio da sua saída do BC, no dia 14 de janeiro, não tem qualquer relação com a mudança de presidente e muito menos com as operações aprovadas logo depois com os Bancos Marka e FonteCindam. "Eu já tinha avisado ao Gustavo Franco (ex-presidente do banco) que não tinha intenção de assumir mais quatro anos de compromisso em setembro do ano passado", afirmou. Segundo Mauch, como mudou a presidência do BC ele achou melhor avisar a todos que estava saindo também, assim que aparecesse um substituto, para não ter que fazer isso duas semanas depois.





