Programada para reunir a comunidade do Conjunto Antares (Zona Leste de Londrina), a festa que aconteceu ontem em uma praça do bairro foi surpreendida pelo mau tempo e pela queda brusca da temperatura, resultado de mais uma massa de ar frio que chegou ao Paraná. Mesmo assim, alguns corajosos aceitaram deixar de lado o tradicional almoço de domingo e conferir as barracas instaladas para o evento.
Iniciativa em 2003 da Rede da Cidadania, pela Secretaria Municipal de Cultura, dessa vez a festa foi organizada por produtores independentes que, com o apoio pedagógico da Rede, levaram apresentações de dança de salão, de duplas sertanejas da região, além de atividades recreativas para os pequenos.
Para uma das coordenadoras da festa, a produtora Natacha Labastia, 24, só havia uma explicação para a queda do movimento, em comparação ao sucesso obtido na edição de 2003: ''É o frio e a ameaça da chuva. Quem se arrisca a sair de casa assim?'', lamentou.
A comerciante Nadir Barbosa Pessoa, de 40 anos, foi uma das exceções. ''Vim trazer o meu filho, mas queria mesmo era tomar o vinho quente, para me esquentar desse frio!'', admitiu. Já a dona de casa Rosângela Marcussi, 31, confessou que se fosse ela a escolher, não teria deixado o cobertor. ''Mas como fui arrastada pelo meu filho, não teve jeito. Ou vinha, ou ele não parava de chorar'', disse.
Na opinião da comerciante Maria de Fátima Custódio, 42, o tempo não ajudou a festa, o que não significou, necessariamente, um desastre. ''É uma boa chance de a gente encontrar os amigos e pôr a conversa em dia'', comentou. Ou chance de faturar uns brinquedos a mais, avaliou o pequeno Gabriel Rabello Dichel, de 8 anos. Jogando pela sétima vez a brincadeira chamada ''bola no cesto'', ele não parecia querer parar nem com os primeiros pingos de chuva ameaçadores. ''Já ganhei carrinho e bolinhas de gude. Aqui, o frio não me pega'', garantiu, com as mãos cheias de brindes.
Entre os comerciantes das barracas, o mau tempo gerou reações opostas. ''Desde cedo até agora (perto das 16 horas), vendi só três lanches'', contabilizou a lancheira Orides Maria dos Santos, 61. No comando da barraca de comida baiana, a quituteira Maria Neusa Santo Silva, 56, confessou que o frio não poderia ter vindo em melhor hora. ''Muita gente veio aqui comer acarajé porque é uma comida quente. Não dá para reclamar assim, não é?''

mockup