O coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Delweck Matheus, atribuiu às chuvas o atraso na retirada das 300 famílias acampadas na estrada que corta a Fazenda Rio Verde, em Itararé, interior de São Paulo. O prazo anunciado pelo próprio Delweck no começo da semana passada para a saída dos sem-terra da área limítrofe da fazenda venceu domingo. Segundo ele, o mau tempo impediu a retirada dos barracos de lona que abrigam as famílias e o deslocamento para uma nova área. ‘‘Vamos sair nos próximos dias, assim que o tempo melhorar’’, disse ontem. Ele afirmou que os 600 sem-terra ocuparão uma área pública.
A presença dos sem-terra tem gerado conflitos com os empregados da Rio Verde. O proprietário das terras, Roberto Maschietto, acusa-os de continuarem abatendo bois da propriedade.
Segundo Delweck, o MST decidiu pela remoção das famílias depois que a Rio Verde foi considerada produtiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ‘‘A área já não interessa aos sem-terra, mas com eles ficando por lá, os problemas com o fazendeiro tornam-se inevitáveis’’. Segundo ele, a coordenação estadual do MST protocolou ontem ofícios solicitando reuniões com o Incra, em Brasília e São Paulo, para discutir as propostas de assentamento de famílias. ‘‘Vamos deixar clara nossa intenção de negociar, antes de realizar novas ocupações’’, afirmou.
Delweck terá sua prisão preventiva pedida esta semana pelo delegado seccional de Itapeva, Hamilton Gianfratti. Ele espera só a chegada do inquérito que apura a depredação da Fazenda Rio Verde, em novembro, pelos sem-terra. O processo está no Forum de Itararé, aguardando despacho a um pedido de mais prazo para sua conclusão. Além de Delweck, será pedida a prisão de outros três líderes que tomaram parte na ocupação da fazenda por crimes de danos, grave ameaça, esbulho possessório violento e maus tratos aos animais.

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