Curitiba- A fabricante de chás Matte Leão anunciou ontem investimentos de R$ 30 milhões para o ano de 2008, um aumento de 340% em relação a 2007. Cerca de dois terços deste valor serão destinados à construção da nova fábrica de chás secos que deve permanecer em Curitiba. Hoje a produção desta linha é realizada na unidade da Avenida Getúlio Vargas, em Curitiba. Como o prédio não entrou na negociação quando a empresa foi vendida para a Coca-Cola, a Matte Leão tem prazo até março de 2009 para desocupar o imóvel.
A companhia pretende comprar um terreno com 100 mil m2 para abrigar também uma outra fábrica de chás líquidos. Esta terceira unidade industrial no Paraná deve começar a funcionar dentro de dois a três anos, terá investimentos de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões e será menor que a fábrica de chás líquidos do Rio de Janeiro. A empresa também anunciou ontem a saída do principal executivo, o diretor geral, Renato Barcellos Guimarães, a partir de janeiro de 2008.
A companhia já iniciou a compra de novas máquinas para a nova fábrica de chás secos mas também pretende pleitear incentivos fiscais do governo do Paraná para permanecer no Estado. Apesar de a empresa afirmar que pretende manter esta fábrica no Paraná, não está descartada totalmente a hipótese da transferência para Santa Catarina. No mês passado, representantes da empresa estiveram no Estado vizinho para buscar informações sobre os programas de incentivos que o governo catarinense pode oferecer. A intenção é permanecer no Estado porque 60% dos fornecedores estão no Paraná e 35% em Santa Catarina. A meta é que a nova fábrica de chás secos tenha um crescimento de 10% ao ano nos próximos cinco anos e mantenha os atuais 480 funcionários. A companhia tem ainda uma unidade no Paraná em Fernandes Pinheiro.
Desde que Guimarães assumiu a direção geral em junho de 2005, a empresa teve um crescimento expressivo. No primeiro semestre de 2007, comparado com o mesmo período de 2005, houve um aumento de receita de 44%, o número de funcionários passou de 695 para 929 (+33,67%), foram lançados mais de 20 novos produtos, o share de mercado (em volume) na linha seca passou de 62,5% para 64,6% e na linha líquida de 44,5% para 50,1%.
Segundo ele, a Coca-Cola mantém a posição de deixar a Matte Leão como uma unidade separada, ou seja, com gestão independente. O processo de fusão ainda está em análise na Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e na SEAE (Secretaria de Acompanhamento Econômico) do Ministério da Fazenda e depois passará pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

mockup