São Paulo, 29 (AE) - O secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Hélio Mattar, afirmou hoje que o Brasil não vai ceder às exigências da Argentina para fechar um novo acordo automobilístico entre os dois países. "Seria admitir que a indústria argentina precisa de proteção monumental para poder funcionar." Mattar, no entanto, disse estar preocupado com a falta de consenso nas negociações para a renovação do regime automobilístico para o Mercosul que vence em 31 de dezembro. No dia 6, ele participará de reunião no Uruguai para discutir o assunto. No encontro da semana passada, naquele país, não houve acordo. "Ainda temos o mês todo para negociar", afirmou.
Caso não haja acordo, a partir de 1º de janeiro os carros brasileiros pagarão 33,5% de alíquota de importação para entrar na Argentina e as autopeças 2%. Já os veículos argentinos chegarão ao Brasil com 35% de alíquota e os componentes com 11 6%. Hoje, a alíquota para os automóveis é zero.
O secretário informou não ser viável a sugestão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de prorrogar o atual acordo até março, para que as partes possam ter mais tempo de negociar com o novo presidente da Argentina, Fernando de la Rúa, que tomará posse no dia 10. "A prorrogação não é aceita pela Organização Mundial do Comércio (OMC)." Segundo Mattar, entre as exigências está a de manter, nos próximos quatro anos, a atual sistemática em que os negócios resulta em superávit para a balança argentina. Nos últimos cinco anos, o resultado do comércio entre os dois países representou ganho de US$ 170 milhões para a balança argentina, levando-se com conta o superávit de US$ 640 milhões obtido com os veículos e o déficit de US$ 470 milhões nas autopeças.
Empreendedor - Mattar participou em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, do lançamento do programa Brasil Empreendedor, que visa disponibilizar crédito e capacitação para micros e pequenos empresários. O evento foi realizado na agência central do Banco do Brasil e teve a participação do presidente da instituição, Paolo Zaghen.
De acordo com Zaghen, do total de R$ 8 bilhões em recursos disponibilizados pelo governo federal, R$ 2,5 bilhões serão gerenciados pelo Banco do Brasil. A meta do programa em todo o País é de atender 3,45 milhões de pequenos empreendedores e realizar 1,15 mil operações de crédito.
Durante a realização da cerimônia de lançamento do programa, o Sindicato dos Bancários do ABC promoveu uma manifestação em frente ao banco. A entidade pede reajuste de 24 5% para cobrir defasagens acumuladas nos últimos quatro anos em que a categoria não teve aumentos salariais. Zaghen informou que o BB "não está obtendo lucratividade operacional suficiente que permita aumento de custo com pessoal." O BB emprega 70 mil funcionários em todo o País.

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