Curitiba - A realização de vestibulares e matrículas para o segundo semestre letivo nas instituições de ensino superior pode ser comprometida por conta da greve. A postura mais radical foi anunciada ontem, durante um ato realizado pelos servidores técnicos-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade, em Curitiba. Cerca de 150 profissionais envolveram o prédio histórico da instituição com um plástico preto para chamar a atenção da sociedade sobre a falta de perspectiva da educação pública no País.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público do Paraná (Sinditest-PR), além da UFPR, outras universidades também vão anunciar nos próximos dias a possibilidade de estender a greve, o que deve comprometer as matrículas e a realização dos vestibulares como forma de pressionar o governo federal a abrir um canal de negociação com a categoria.
''Queremos chamar a atenção e vamos radicalizar nas ações. Até agora o governo se nega a negociar enquanto não resolver a situação com os docentes, mas não podemos esperar. Com isso, podem ocorrer medidas mais sérias'', indicou o diretor do Sinditest-PR, Márcio Palmares.
Em Londrina, os professores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) decidiram continuar de braços cruzados após uma assembleia realizada no campus na tarde de ontem. Por ampla maioria, os professores recusaram a proposta do governo. De acordo com o professor Marco Antonio Ferreira, a categoria ficou insatisfeita com a proposta de reajuste salarial, que segundo ele aumenta o desnível entre as carreiras do magistério, e com a omissão em relação às reivindicações por estruturação e condições de trabalho.
''Avaliamos que não foi uma proposta condizente com nossas expectativas. Na quinta-feira faremos outra assembleia para discutir novas estratégias de mobilização'', afirmou.
Também no Centro da Capital, outros servidores públicos federais (IBGE, Incra e Ministério do Desenvolvimento Agrário) se reuniram com os técnicos-administrativos para participar do Dia Nacional de Luta, convocado pela Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef).
Além de participar da mobilização, representantes da Associação dos Servidores do Incra (Assincra-PR) e do MDA entregaram ao Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba, um ofício com denúncias sobre o processo de desmanche estrutural dos órgãos agrários federais.
Hoje, o Fórum dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Paraná, que reúne trabalhadores de 14 universidades, agências ou institutos ligados ao governo federal, promove nova manifestação na Praça Rui Barbosa, em Curitiba.(Colaborou Lúcio Flávio Moura/Reportagem Local)

mockup