Representantes do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Norte do Paraná (Sinepe) reagiram duramente às declarações do professor Arnaldo Vicente - membro do Conselho Estadual de Educação - publicadas domingo pela Folha (página 3 - Opinião). De acordo com o presidente do Sinepe, Marco Antônio de Souza, o conselheiro estava em um momento de ''desequilíbrio'' ao afirmar que as escolas particulares colocaram o interesse econômico acima do pedagógico quando foram à Justiça para matricular alunos com cinco anos no novo ensino fundamental. Esse período escolar ganhou uma nova primeira série e teve a duração estendida de oito para nove anos.
A liminar concedida pelo juiz da 1 Vara da Fazenda Pública, de Curitiba, Marcel Guimarães Rotoli de Macedo, em ação movida por 32 escolas particulares, anulou ato normativo do Conselho Estadual de Educação (CEE) que permitia a matrícula no novo ensino fundamental apenas para alunos com seis anos completos - ou que completassem seis até 1º de março.
''O conselheiro não foi educado com a classe média e com o Judiciário. Ele deveria conversar mais com a base ao invés de proferir palavras contra uma categoria (rede particular) que tanto faz pela educação no país'', defendeu Souza.
Segundo o tesoureiro e ex-presidente do Sinepe, Alderi Ferraresi, a mudança na duração do ensino fundamental não acarreta alteração na propostas pedagógica. ''Para a escola particular não mudou nada, nós só tiramos a placa de Pré 3 e colocamos a de 1 série do fundamental de nove anos. O resto é tudo igual: a mesma professora, mesmo material, mesmos alunos, a proposta pedagógica, tudo'', afirma.
Questionado se a matrícula de crianças com cinco anos no ensino fundamental não contraria a Constituição Federal - que delimita a Educação Infantil para crianças entre zero e cinco anos, e ensino fundamental entre seis e 14 -, Ferraresi disse que a idade de cada pessoa é uma questão relativa. ''Tem toda uma discussão filosófica em cima disso: quando eu faço aniversário de cinco anos, no dia seguinte tenho cinco ou seis? Você pode achar que é cinco, mas na minha concepção posso entender que já estou indo para o seis...'', teorizou.
O professor e conselheiro estadual de educação, Arnaldo Vicente, voltou a criticar o posicionamento das escolas particulares. Para ele, o acréscimo de uma nova 1 série no ensino fundamental não é apenas uma mudança de nomenclatura, mas de proposta pedagógica. ''O aumento de oito para nove anos visa preparar melhor as crianças para o processo de alfabetização, mas sem perder a ludicidade da pré-escola. Temos que readequar o conteúdo pedagógico, mas isso as escolas não querem por causa do custo de reelaboração do material didático''.
Sobre a relativização do conceito de idade para justificar a entrada de crianças de cinco anos no ensino fundamental, Vicente considerou uma atitude ''malandra''. E esclareceu: ''Se você não tem seis anos ainda, você tem cinco. A gente sempre diz o que tem de completo''. Vicente informou ainda que o CEE está reunido esta semana para definir um posicionamento sobre a liminar judicial obtida pelas particulares.

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