Mathias nega envolvimento com roubo de cargas
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 02 (AE) - O advogado Salvador Scarpelli, que defende o também advogado Artur Eugênio Mathias, estuda um novo pedido de habeas corpus em favor de seu cliente. Apontado pela CPI do Narcotráfico como o "braço jurídico" do crime organizado em Campinas, Mathias está numa cela do quartel da Polícia Militar, onde cumpre prisão preventiva decretada pelo juiz de Igarapava Humberto Aparecido da Rocha. Ele é acusado de formação de quadrilha e roubo de cargas.
Segundo Scarpelli, o advogado nega que tenha sido mentor intelectual de uma série de roubos de cargas na rodovia Anhanguera. Até as 15 horas de hoje, Scarpelli ainda não havia recebido a cópia do processo ."Preciso conhecer os motivos da acusação para definir o que vamos fazer, mas é quase certo que pediremos o habeas corpus", explicou. "Ele nunca foi chamado para depor sobre o caso e, de repente, estoura essa bomba."
Scarpelli disse que Mathias está "muito abatido e nervoso" com as acusações. O advogado também criticour a atitude dos deputados federais que questionaram o Supremo Tribunal Federal (STF), por conceder liminar dando poderes a um advogado para manifestar-se durante os depoimentos na CPI. "Decisão do Judiciário não se discute, cumpre-se", afirmou Scarpelli.
Mathias foi identificado por um dos integrantes de uma quadrilha que roubou três caminhões carregados de cigarros no dia 3 de maio, no quilômetro 426,8 da Rodovia Anhanguera, próximo a Igarapava. Em seu depoimento, o acusado disse que o advogado teria sido o mentor intelectual da ação. "Pelo que sei
Mathias atuou como defensor dessa pessoa, mas depois deixou o caso", disse Scarpelli.
O informante foi beneficiado com liberdade provisória e seu nome está sendo mantido em sigilo para evitar um atentado. Na última quinta-feira, ele pediu para ser ouvido novamente pelo juiz de Igarapava. No depoimento, contou que Mathias apresentou-se na cidade como seu advogado mas, na realidade, teria sido o mentor intelectual do roubo.
As informações prestadas pelo integrante da quadrilha serviram de base para que o juiz de Igarapava decretasse a prisão preventiva do advogado. Mathias já havia sido preso durante os trabalhos da CPI do Narcotráfico na cidade, há duas semanas, mas foi posto em liberdade depois de obter um habeas corpus do Tribunal de Justiça de São Paulo. Seus advogados pretendem repetir a estratégia pela segunda vez.


