Um teste realizado pela reportagem da Folha demonstra que é possível burlar as normas de segurança para entrada e saída de pessoas em três hospitais de Londrina. Na mesma semana em que o sequestro de uma recém-nascida em Curitiba foi amplamente divulgado pela mídia, a repórter conseguiu entrar, sem identificação, na maternidade dos hospitais Evangélico, Universitário e Mater Dei.
Vestindo camisa branca, calça e sapatos pretos, sem qualquer tipo de disfarçe, a repórter circulou livremente pelos corredores e quartos das instituições por vários minutos. Em nenhuma ocasião, foram encontrados bebês sem acompanhamento de adultos. A Materninade Municipal Lucilia Ballalai também foi ''visitada''. Nesse hospital, entretanto, um funcionário impediu a entrada da reportagem sem identificação.
O Hospital Evangélico foi o primeiro centro médico testado pela repórter, que entrou na instituição às 14h50 pela porta do pronto-socorro. A via de acesso estava aberta e, na entrada, uma ambulância estacionada indicava que um paciente havia chegado recentemente. Do lado de fora, funcionários auxiliavam uma pessoa em uma cadeira de rodas. Não havia ninguém na porta.
A repórter subiu, pelas escadas, até a maternidade. No local, entrou em vários quartos e conversou com parentes de uma mãe cujo bebê recém-nascido estava internado. Muitos quartos estavam com a porta aberta. Em seus interiores, familiares cuidavam dos bebês. Apesar de ter circulado várias vezes pelo corredor, sem visitar pacientes, não houve abordagem por parte dos funcionários. Mais ou menos dez minutos depois, a saída do hospital aconteceu pela entrada principal, por uma catraca. Um funcionário liberou a saída com um cartão magnético sem fazer qualquer pergunta.
No Mater Dei, que pertence à Irmandade Santa Casa de Londrina, a entrada aconteceu logo após às 15 horas, pelo saguão principal em frente ao estacionamento. O acesso à parte interna foi pela porta ao lado do balcão de recepção, que estava fechada. A repórter entrou atrás de uma visitante, que tinha sido identificada no balcão, antes que ela travasse a porta. Nenhum funcionário impediu o acesso.
Dentro do hospital, foi fácil chegar à maternidade. No 2º andar, uma funcionária da limpeza informou que a ala das mães ficava no pavimento inferior. A reportagem desceu e, no lugar, constatou que não havia presença de muitos funcionários e visitantes. Nos poucos quartos ocupados, as mães cuidavam dos bebês. Não havia crianças no berçário, que estava com a porta aberta. Cinco minutos depois, a repórter saiu pelo mesmo local de entrada sem ter sido interpelada por ninguém.
O terceiro local testado foi o Hospital Universitário, por volta das 15h30. A primeira tentativa de entrada aconteceu pelo Pronto-Socorro, onde um funcionário impediu a entrada sem identificação. Em nova tentativa, pela entrada principal, a repórter conseguiu acesso pela passagem de carros - que fica ao lado da entrada de visitantes e funcionários - sem ser vista pelos seguranças e porteiros. No momento, eles pareciam ocupados com o grande número de visitas que se acumulava na portaria.
Dentro do hospital, à procura da maternidade, a repórter pediu informações a uma funcionária e, orientada por ela, chegou à maternidade. No local, adentrou nos quartos coletivos sem causar estranheza em pacientes e funcionários, cumprimentou algumas mães com a cabeça e saiu. A saída se deu tranquilamente pela porta do pronto-socorro, onde, minutos antes, um funcionário tinha impedido o acesso da mesma ''visitante'' ao hospital.

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