Maternidade não tem pediatra para atuar nos partos pelo SUS
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sexta-feira, 07 de janeiro de 2000
Por Jair Aceituno, especial para a AE 
Bauru, SP, 07 (AE) - As crianças que nascem na Maternidade Santa Isabel, em Bauru (SP) - a única da cidade que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - só recebem assistência pediátrica durante o parto caso sofram algum problema, porque as equipes responsáveis não dispõem desses profissionais. O motivo seria a baixa remuneração paga pelo SUS, R$ 14,88 por parto, o que estaria afugentando os pediatras. A situação, que já perdura há pelo menos um ano, só veio à tona porque um recém-nascido enfrentou dificuldades respiratórias e teve de esperar pela chegada do pediatra. Felizmente, o bebê sobreviveu, mas a situação vem deixando em pânico gestantes do município.
A secretária de Saúde de Bauru, Eliane Fetter Telles Nunes, admite que "o ideal" é que a equipe encarregada do parto seja composta por um obstetra, um pediatra, uma enfermeira auxiliar e uma berçarista. No entanto, segundo ela, é impossível para o município, que já paga ao obstetra um adicional de R$ 120 00 por parto, também assumir a remuneração do pediatra. O diretor clínico da maternidade, Rodolfo Celeste, confirma a impossibilidade de manter o profissional em plantão no hospital apenas com a remuneração do SUS. Mas afirma que mesmo diante da falta desse profissional "não têm ocorrido muitos problemas".
A maternidade pertence ao Estado e é administrada pela Associação Hospitalar de Bauru - que também é responsável pelo Hospital de Base e Hospital Manuel de Abreu - e recentemente passou a ser administrada em parceria pelo Estado e comunidade. Com a divulgação do problema da falta de pediatras na maternidade, as entidades ligadas ao movimento feminino que recentemente lutaram pelo funcionamento do pronto atendimento ginecológico, deverão pressionar pela manutenção do médico para o acompanhamento dos recém-nascidos.
Uma possibilidade aventada é pedir à Secretaria da Saúde do Estado, que já injeta verbas na entidade para manutenção dos hospitais gerais, também solucione a carência da maternidade.


