Se amamentar parece algo natural e inerente à mãe, a realidade mostra-se bem diferente. Um programa feito na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai de Londrina avalia e monitora os riscos de cada mulher interromper a amamentação do filho. E a partir disso direciona o atendimento para que ela não interrompa o aleitamento. A experiência foi relatada no livro ''Aleitamento Materno - Manual Prático'' e o exemplo já atrai prefeituras de outros estados do país.
Segundo as organizadoras do livro, enfermeiras Lilian Poli de Castro e Lylian Dalete de Araújo, que também coordenam o Comitê de Estímulo ao Aleitamento Materno de Londrina (Calma), no ser humano a amamentação não é natural. ''É biologicamente determinada, mas socioculturalmente condicionada'', explica Dalete. Amamentar ou não depende do contexto social em que a mulher vive, dos conceitos familiares, e até dos cuidados que recebeu quando criança.
Para as enfermeiras, ''já está mais do que provado os benefícios da amamentação exclusiva até os seis meses de idade'', tanto para a mãe, quanto para o bebê, mas é preciso cuidar para que ela aconteça. Por isso é tão importante que se identifique os riscos de interrupção do aleitamento, para poder agir preventivamente. ''Não se trata mais de falar que amamentar é bom, mas em como ajudar a mulher, com suas necessidades, desejos e limites'', salienta Lilian.
Uma pesquisa feita na Maternidade Municipal, com dados de maio de 2004 a dezembro de 2005, mostra os principais riscos de interrupção do aleitamento. Segundo a pesquisa, em 33% dos casos havia risco materno, e em 17% dos casos o risco era do recém-nascido.
Entre os riscos maternos de interromper a amamentação, o maior deles, 35% dos casos, é o da mãe adolescente. ''Ser adolescente e ser mãe é um corte drástico, uma grande mudança de vida, e ela pode não estar preparada. É preciso acompanhar também a família'', alerta Lilian.
Em 24,1% dos casos esse risco é causado pela fissura mamilar, e em 10%, pela baixa produção láctea. No entanto, com informações para preparar a mama é possível prevenir e tratar. Assim como a produção láctea, que aumenta à medida que aumentam as mamadas.
Entre os riscos do recém-nascido, o maior é o bebê que nasce com mais de quatro quilos. Nessa pesquisa eles corresponderam a 34,7% dos casos. Outro risco para o desmame é recém-nascido com baixo peso (31,4% dos casos). A dificuldade do recém-nascido na pega (da mama), cerca de 25,5% dos casos, é outro fator de risco.
Dalete explica que, com alto peso, o recém-nascido corre mais risco de hipoglicemia (falta de açúcar no sangue), por isso pode precisar mamar mais vezes ao dia. ''Se o leite ainda não desceu a mãe pode ficar insegura. Se é um recém-nascido de baixo peso, normalmente é prematuro, e por isso pode ter mais dificuldade para sugar. Tudo isso demanda mais acompanhamento'', explica Dalete.
A dificuldade de pega do recém-nascido tem tudo a ver com a fissura da mama. Para que a criança consiga abocanhar é preciso que a mama esteja macia, não muito cheia. ''Há o risco de parar (de amamentar) se a mulher não tiver uma retaguarda, um olhar mais acurado do profissional'', alertam.

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