Todas as mulheres interessadas em ter filhos deveriam fazer testes para saber se estão infectadas pelo vírus da Aids. Mesmo as que não se consideram parte dos chamados grupos de risco.
A recomendação é feita pelo professor e pesquisador italiano Piero Angelo Tovo, da cadeira de Pediatria da Universidade de Turim. Responsável pelos registros oficiais da epidemia de Aids entre crianças na Itália, ele acredita que a discussão sobre o assunto começa pelas mulheres. ‘‘Elas só deveriam tomar decisões sobre a maternidade após os resultados dos testes’’.
Tovo é uma das mais respeitadas autoridades italianas no
assunto e se encontra em São Paulo para participar do 4º Encontro Nacional de Aids Pediátrico. Ontem ele fez uma conferência sobre a história natural da epidemia entre crianças. Disse que não se conhece nenhuma outra doença em que a relação entre a mãe o filho seja tão intensa quanto no caso da Aids. ‘‘Quando se fala do mal da criança, estamos quase sempre nos referindo também à mãe doente’’, afirmou. ‘‘O sentimento de culpa que as mães enfrentam nessa situação também é imenso’’.
O pesquisador italiano explicou que a insistência para que todas as mulheres façam o teste de detecção do HIV tem duplo objetivo. O primeiro é possibilitar reflexões sobre o que enfrentarão. ‘‘Há mulheres que, ao descobrir que são portadoras do vírus, decidem não correr o risco de transmiti-lo ao filho’’, disse. ‘‘Existe também o problema social dos órfãos. Mães com Aids, mesmo que não transmitam a doença para o bebê, morrem quase sempre precocemente, deixando-os sós no mundo’’.
O segundo objetivo da recomendação de Tovo é permitir que
os médicos trabalhem para diminuir o risco de infecção do filho. ‘‘Tratamentos adequados com antivirais durante a gravidez permitem reduzir em até 70% o risco’’, disse ele. ‘‘Além disso, quando se sabe que a mãe é portadora do vírus, pode-se tomar medidas de proteção ao bebê desde as primeiras semanas após o nascimento’’.
Na opinião do estudioso italiano, o alvo principal de
qualquer campanha para se reduzir a incidência de Aids entre crianças devem ser as mulheres que ainda pensam em ter filho. ‘‘Precisamos aprender a conviver com a doença, em vez de fingir que se trata de um problema da vizinha ou dos grupos de risco’’, disse. ‘‘Qualquer mulher que teve mais de um parceiro corre um risco real’’, disse.

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