Maternidade de AL confirma dez mortes mas nega contaminação
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Ricardo Rodrigues, especial para a AE 
Maceió, 27 (AE) - O diretor da Maternidade Santa Mônica, em Maceió, Robson Vieira, confirmou hoje a morte de dez recém-nascidos, entre quarta-feira e sábado, mas negou que a causa dos óbitos tenha sido infeção hospitalar, como chegou a ser noticiado. Segundo Vieira, quatro crianças morreram porque nasceram com peso insuficiente: duas abaixo de 600 gramas e outras duas com menos de 1,5 kg. Foram registrados ainda dois casos de insuficiência respiratória, duas mortes devido a cardiopatia congênita e outros dois recém-nascidos não resistiram a má-formação.
"Não é comum essa quantidade de óbitos em menos de cinco dias", afirmou Vieira. Apesar dessa afirmação, o diretor garantiu que a visita do Conselho Regional de Medicina (CRM-AL) a Maternidade Santa Mônica era de "rotina". Segundo Vieira, em nenhum momento o CRM-AL cogitou a interdição da maternidade por suspeita de contaminação. "Não sei de onde surgiu essa notícia de contaminação, mas estamos apurando para tomar as medidas jurídicas cabíveis, porque esse tipo de divulgação deixa a população intranquila", acrescentou.
O tesoureiro do CRM-AL, médico Antônio de Pádua, que presidiu a entidade por dez anos, comentou que "todo ambiente hospitalar é contaminado". Segundo ele, na Santa Mônica esse problema se agrava porque é uma maternidade carente, de demanda muito alta, que atende gestantes de alto risco e com problemas inerentes as mulheres de baixa renda. "Agora, se esses óbitos que aconteceram neste final de semana foram ou não por contaminação, só o relatório do conselho poderá dizer", acrescentou.
De acordo com a direção da Santa Mônica, os atestados de óbitos emitidos pela maternidade foram entregues ao CRM-AL para que sejam analisados. As assistentes sociais da maternidade informaram que das dez crianças mortas apenas uma se encontrava na geladeira da maternidade. O bebê é de Lucineide Deodato Santos, que deixou o filho morto para ser sepultado como indigente, porque não tem condições financeiras para fazer o enterro no interior do Estado.
Atualmente, a Santa Mônica conta com 60 leitos e 20 vagas para crianças em cinco berçários, sendo que um está interditado por falta de condições de funcionamento. "As mortes ocorreram porque temos problemas de superlotação e também devido as condições de saúde das parturientes, que não fazem o pré-natal e procuram a Santa Mônica porque é a única que atende gravidez de alto risco pelo SUS", disse Vieira, diretor da maternidade há 29 dias.


