Células-tronco e a criação artificial de óvulos e espermatozóides são promessas de tratamento para a infertilidade. É o que garante o médico Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana, que esteve em Londrina na última semana, ministrando a palestra ‘‘Infertilidade Humana: soluções para os casais sem filhos’’. Mas enquanto as promessas não viram realidade, outras modernas técnicas podem ser utilizadas por casais que não conseguem engravidar.
  Um casal saudável, explica o médico, tem todo mês de 15% a 18% de chance de engravidar. Ao longo de um ano, a chance é de 85% a 90%, e em um ano e meio, 100%. Por isso, depois de um ano e meio de tentativas sem resultados, é recomendável que o casal procure avaliação médica para investigar as causas da infertilidade. Cerca de 20% dos casais em todo mundo têm dificuldade para ter filhos.
  Na mulher, obstrução ou aderência das trompas, ovário policístico e endometriose estão entre as causas mais comuns de infertilidade. E entre os homens, a varicocela (varizes testiculares), que prejudica a qualidade e a quantidade dos espermatozóides.
  Outro grande problema de fertilidade, aponta o médico, é que as mulheres estão retardando a idade para ter filhos - e o que é uma conquista social para a mulher que quer primeiro investir na carreira, é um problema sob o ponto de vista biológico. Isso porque, o óvulo também envelhece, e ao contrário dos homens que até o final da vida vão produzir espermatozóides, a mulher já nasce com um número determinado de células que poderão se tornar óvulos. Além disso, com o envelhecimento, a qualidade do óvulo também cai, dificultando a concepção.
  Segundo o especialista, a partir dos 35 anos de idade a chance da mulher engravidar cai significativamente. ‘‘Se em uma menina de 25 anos, por exemplo, 15% dos pares de cromossomos no óvulo são alterados, em uma mulher de 40, esse número sobe para 80%’’, ressalta.
  Mesmo na fertilização in vitro, as chances caem para mulheres com mais de 35 anos. Até essa idade, a chance é de 55%, e depois cai para 35%. O médico recomenda que aos 30 a mulher que queira ter filhos ‘‘já comece a pensar no assunto’’. ‘‘Durante um ano e meio ela vai poder tentar. Se não conseguir terá mais um ano para buscar tratamentos mais convencionais. E aí, com menos de 33 anos ainda terá boas chances na fertilização in vitro’’, afirma.
  Abdelmassih ressalta que algumas causas de infertilidade podem ser tratadas com procedimentos simples, como terapia hormonal, pequenas cirurgias, ou mesmo inseminação artificial, que consiste em estimular a ovulação e melhorar as condições do sêmen em laboratório, para colocá-lo próximo do local da fecundação. Mas, em casos mais complexos, ou quando os tratamentos mais simples não dão resultados, é hora de investir nas técnicas de reprodução assistida.
  Uma das mais conhecidas é a fertilização in vitro, que gera o popularmente conhecido ‘‘bebê de proveta’’. Nesse método, a mulher tem estimulação ovariana controlada para aumentar a produção de óvulos, que são recolhidos através de uma ultra-sonografia transvaginal. Depois de fecundados em laboratório, alguns embriões são transferidos para o útero da paciente, onde podem ou não se desenvolver.
  Outra técnica, associada à fertilização in vitro, auxilia a solucionar problemas masculinos de infertilidade. É a injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), usada em casos de homens com baixa quantidade de espermatozóides ou quando estes tem morfologia alterada ou baixa motilidade. Essa técnica permite a injeção de um único espermatozóide em cada óvulo, aumentando a taxa de sucesso da fertilização in vitro em casos que o homem tem problemas.

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