Os materiais de consumo e equipamentos médico-hospitalares totalmente importados devem ter reajuste imediato de 30% a 36%, para compensar a desvalorização do real em relação ao dólar.
A informação foi dada ontem, em Brasília, pelo diretor da Associação dos Fabricantes de Produtos Médico-Hospitalares, Ronaldo Pitta, depois de reunião com o assessor econômico do Ministério da Saúde, Geraldo Biasoto.
Participaram da reunião representantes de 13 grandes empresas do setor médico-hospitalar, que expuseram as dificuldades provocadas pela alta do dólar. Biasoto preveniu os empresários de que o Ministério da Saúde estará atento a reajustes abusivos e anunciou a criação de nove câmaras setoriais, que vão avaliar cada área.
Haverá, por exemplo, câmaras setoriais para marcapassos, diálise, raios X, próteses em geral, material odontológico e material de laboratório. Participarão das câmaras representantes dos fornecedores, dos hospitais, das seguradoras e do Ministério da Saúde. Segundo Biasoto, dentro de um mês essas câmaras terão condições de fornecer o diagnóstico de cada setor e apontar a melhor saída para cada um.
Biasoto disse que não adianta propor uma solução única, como redução ou isenção de II (Imposto de Importação), por exemplo, porque as alíquotas variam de 3% a 21%. ‘‘Quem paga 3% de II não teria benefício nenhum com a redução desse imposto’’, disse Biasoto.
Ele não acredita que vá haver uma alta exagerada de preços nem desabastecimento. Segundo ele, as empresas não encontrarão comprador se aumentarem demais seus preços, já que os hospitais (e laboratórios etc.) não têm como repassar esse aumento para os pacientes. Ele disse ainda que todas as empresas têm estoque e que vão ter de se adaptar à nova realidade reduzindo a margem de lucro.
Quanto aos hospitais também vão ter de reduzir a margem de lucro. Se for o caso, disse Biasoto, Estados e municípios precisarão destinar mais dinheiro para a saúde. ‘‘Eles podem não ter dinheiro para outras áreas, mas para saúde têm, disso não podem se queixar.’’
Se faltarem produtos básicos ou fundamentais em situações de emergência, Biasoto disse que o governo pode lançar mão da chamada ‘‘medida preventiva’’, pela qual pode obrigar determinada empresa a vender seu produto pelo preço que vinha sendo praticado antes de eventual reajuste, que tenha impossibilitado sua compra.
Compradores Os 52 hospitais da rede pública (federal, estadual e municipal) do RJ vão se unir para combater o aumento abusivo de preços. Segundo a coordenadora do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Ana Tereza da Silva Pereira, será feito um kit básico com os preços de produtos médico-hospitalar e medicamentos, que estará disponível na Internet a partir de abril. A idéia é acabar com a preferência por marcas, responsável pela alta variação de preço de um mesmo produto entre um hospital e outro, e aumentar o poder de compra da rede pública sobre os fornecedores.
‘‘Não existe o cartel dos fornecedores? Agora, teremos o cartel dos compradores’’, brincou Ana Tereza. Os hospitais universitários e as secretarias de saúde estadual e municipal já aderiram ao projeto, segundo a coordenadora. Na esfera federal, além das 13 unidades diretamente administradas pela União, estão envolvidos também o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz.

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