Material do Caso PC some do IML de Maceió
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de junho de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 21 (AE) - Cerca de 240 tubos de ensaio contendo algodão usado na necrópsia dos corpos de Paulo César Farias e de Suzana Marcolino, pedaços das roupas e de pele desapareceram do Instituto Médico Legal de Maceió. Sumiram também os tubos de ensaio com o material residuográfico coletado das mãos de Suzana. Esse material, segundo o médico legista Fortunato Badan Palhares foi enviado pela Universidade Estadual de Campinas para o IML de Maceió, com as luvas epidérmicas da namorada de PC. Palhares diz que tem os recibos comprovando que entregou o material ao Instituto depois de ter feito os exames em Maceió, em 1996. Ele só não tem recibo do material enviado, mas garante que tudo foi enviado pela Unicamp para o IML de Maceió.
O juiz, o promotor, os delegados que estão a frente do caso garantem que não tiveram acesso a esse material. Para o promotor Luiz Vasconcelos, recuperar esse material é de fundamental importância, porque no debate entre as duas equipes de peritos que assinaram laudos sobre o caso ficou patente a necessidade de um novo exame residuográfico nas mãos de Suzana, para comprovar se haviam elementos químicos que comprovariam que ela realmente usou a arma para matar PC e depois se suicidar. "Esse exame foi solicitado pela perita criminal do Instituto de Criminalistica de São Paulo, Mirian Garavelli, que não se conformou com os dados apresentados no laudo de Palhares" completou Vasconcelos.
De acordo com o laudo de Palhares, nas mãos de Suzana foram encontradas partículas de alumínio, enxofre, cobre e potássio. Segundo o legista Daniel Munhoz da Universidade de São Paulo, no exame residuográfico realizado com material colhido nas mãos de Suzana não foram encontrados três elementos primordiais liberados quando uma arma é usada: chumbo, bário e antimônio. "Se Suzana tivesse usado a arma para matar PC e depois se matar
nas mãos dela teria que ter esses três elementos" afirmou Munhoz, que no debate em Maceió, na última quinta-feira, contestou a tese de homicídio seguido de suicídio, defendida por Palhares. Para Munhoz, o que houve foi um duplo assassinato. "Suzana poderia muito bem ter sido assassinada por uma terceira pessoa", disse.


