Curitiba - O farto material apreendido na Operação Fênix, que tinha como alvo a cúpula da organização criminosa comandada por Fernando da Costa -o ''Fernandinho Beira Mar''-, deve ajudar a Polícia Federal (PF) a identificar outros integrantes do grupo e os bens aquiridos com o dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Dos 11 presos na operação deflagrada na última quinta-feira, nove ficarão custodiados em Curitiba, onde serão concentradas as investigações. Até ontem, cinco já haviam sido transferidos para a Capital, entre eles, a mulher de Fernandinho Beira Mar, Jaqueline Alcântara de Morais.
Uma das propriedades da organização criminosa é a fazenda Campanaí, no Paraguai, onde há criação de cavalos, tanques de peixe e uma pista de pouso de aviões, possivelmente, usada para o transporte de drogas. O gerente da fazenda foi preso. O título de propriedade da fazenda foi apreendido em uma das buscas realizadas no Rio de Janeiro, onde também foi presa Marcela Brito Barradas, que mantinha em sua casa US$ 134.405,00 e R$ 26.120,00. Essa foi a maior quantia, em dinheiro, apreendida e já identificada pela PF, mas entre os bens apreendidos há vários cofres, que ainda não foram abertos. Todo material também será transferido para Curitiba.
A imprensa nacional havia divulgado, anteontem, que US$ 200 mil haviam sido apreendidos na casa de Jaqueline, mas a informação foi corrigida em entrevista coletiva, na tarde de ontem, na sede da Superintendência da PF, em Curitiba.
O delegado da Coordenação de Operações Especiais de Fronteiras (Coesf), Wagner Mesquita, que vinha acompanhando as investigações nos últimos 18 meses, disse, ontem, que a identificação dos ''canais de lavagem de dinheiro'' usados pela organização foi um dos grandes méritos da investigação, pois a informalidade dos ''negócios'' dificultou o trabalho da polícia. Segundo ele, são lan houses e empresas de lava car, entre outros estabelecimentos fictícios ou que estão em nome de laranjas.
A PF identificou, ainda, casas alugadas em Catanduvas (50 km ao sul de Cascavel) e recibos de serviços de táxi como parte da ''estrutura'' da organização mantida no Paraná. Fernandinho Beira Mar ficou preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, entre junho de 2006 a julho deste ano. De acordo com Mesquita, as casas eram usadas por parentes dos presos, que passaram a ter ligação com a organização criminosa.
No Paraná, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão: dois nas residências usadas pelos familiares de presos da Penitenciária de Catanduvas e dois em celas do presídio, onde estão detidos José Cláudio Arantes e Sidnei Romualdo. A PF cumpriu, ainda, dois mandados de prisão contra Jaqueline Kely dos Santos Arantes, 29 anos, filha de José Cláudio, e Rosimeri Batista de Freitas, 36 anos. Ambas residentes em Catanduvas.

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