Curitiba Um desentendimento entre a América Latina Logística (ALL) e a família Matarazzo está atrasando a construção do prolongamento de um ramal ferrovário até o Porto de Antonina, no litoral do Paraná. Com isso, o prejuízo para o porto é expressivo, à medida que a falta de estrutura para o escoamento da produção, por Antonina, inibe novos investimentos no porto, onera o custo das operações de importação e exportação e mantém elevado o fluxo de caminhões transitando por Morretes e Antonina, o que implica em ameaça às crianças e aos centros históricos das duas cidades, avisou a prefeita de Antonina, Munira Peluso.
O representante da família Matarazzo, Fernando Jeronimo Matarazzo, alega que a área onde deve ser construído o ramal ferroviário, entre a estação de Antonina e o porto, é particular. Por isso, ele exige o pagamento pelo uso de cessão da propriedade, uma espécie de pedágio. Matarazzo disse que a concessão é da família, que inclusive foi responsável pela construção dos dormentes.
Fernando Matarazzo não soube afirmar qual seria o valor da taxa que ele pretende cobrar pelo uso da área. Disse que ela será correspondente ao valor da carga que vai passar por lá. Se a ALL não concordar em pagar o pedágio, Matarazzo disse que ele próprio vai construir o ramal e vai cobrar pelo uso da área. Ele afirmou que só não construiu ainda porque não existe vagão frigorificado para transportar a carga de congelados, que representa o maior volume de mercadorias destinado ao porto de Antonina. Também a Gerdau, indústria que utiliza o porto para o escoamento do ferro, não respondeu ao seu pedido para negociar pelo direito de passagem.
O diretor do Porto de Antonina, Juarez Moraes, disse que a família Matarazzo perdeu o uso de concessão da área porque o contrato venceu em 1981 e não foi mais renovado. Fernando Matarazzo rebateu e garantiu que tem documentos provando que o contrato da família Matarazzo é com a Rede Viária Santa Catarina-Paraná e a concessão tem validade para o período de 99 anos, portanto ela se encerra em 2017. ''Até lá, o terreno é particular e nós somos os donos'', disse Fernando Matarazzo.
O caso foi parar na Justiça Federal de Paranaguá, que deve se pronunciar nos próximos dias. A ALL disse que está aguardando a manifestação judicial que vai indicar, com documentação, quem realmente é o dono da área, para continuar com as obras de recuperação do ramal ferroviário como foi determinado pela Justiça. Segundo a gerente do departamento jurídico da empresa, Renata Franco Trevisan, a empresa até pode discutir os direitos de passagem desde que a Justiça esclareça quem realmente são os proprietários da área. ''Até lá, as obras de manutenção e reparos estão suspensas'', comentou.
O Ministério Público do Estado e Ministério Público Federal já tinham entrado com uma ação civil pública contra a ALL para que ela recuperasse um ramal de 19,5 quilômetros, ligando a estação de Morretes até o Porto de Antonina, para aliviar o trânsito de caminhões em direção ao porto daquela cidade. O prazo para construção dado pela Justiça se encerra em 30 de julho. A ALL construiu 17 quilômetros do trecho estabelecido pela Justiça, mas não consegue cumprir o restante por pressão do proprietário da área.

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