'Mataram meu pai pelas costas'
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segunda-feira, 08 de maio de 2017
Paulo Monteiro<br>Grupo FOLHA 
Prestes a completar seis meses do assassinato de Antônio Rodrigues, os autores continuam soltos. Realidade que contribui com o sofrimento diário da microempresária Janaína Rodrigues de Oliveira, filha da vítima. O corpo foi localizado em uma propriedade rural de Cambé, na divisa com Londrina. Vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), o idoso, na época com 71 anos, desapareceu no dia 10 de novembro de 2016. O corpo só foi identificado pela família quatro dias depois, no Instituto Médico-Legal (IML).
Para roubarem o carro e os outros objetos, os bandidos desferiram diversos golpes de faca em Rodrigues. "Meu pai tomava mais de 10 medicamentos, pois sofria com problemas no coração. Ele tinha dificuldades até para caminhar. Mesmo assim, os bandidos foram cruéis e covardes", ressalta Janaína. "Entre os medicamentos de que meu pai tomava, alguns eram para afinar o seu sangue. Devido aos problemas de saúde, durante o assalto ele morreria rapidamente por hemorragia após a primeira facada. Mesmo assim os bandidos mataram meu pai pelas costas, deram mais de 15 facadas nele", detalha ela, conforme informações que recebeu do IML (Instituto Médico Legal) de Londrina, para onde o corpo foi levado.
Rodrigues morava em Cambé. Segundo a filha, ele prestava serviços em sítios da região. Motivo que não notou a falta do pai no dia do desaparecimento, uma quinta-feira. "Para mim, ele poderia estar em algum sítio. Geralmente, o sinal de telefone é muito ruim na zona rural e seria muito difícil conversar com ele. Imaginava que meu pai estivesse trabalhando", relembra. "Mas, na segunda-feira, dia 14, ele não apareceu. Fui até a sua e encontrei a sacola com seus medicamentos. Foi aí que o desespero bateu. Ele não saía sem eles", relembra Janaína.
A microempresária acredita que o pai foi atraído até o local. "Ele não me falou que estava saindo com alguém; um vizinho informou que havia visto ele saindo bem arrumado de casa, mas até hoje a gente não sabe o que ele foi fazer naquele lugar."
Na companhia do irmão, ela foi até a Delegacia de Cambé. No entanto, segundo ela, como seria feriado de Proclamação da República no dia seguinte (15), não havia expediente policial. "Tivemos que ir até a 10ª Subdivisão Policial, em Londrina, registrar o boletim de ocorrência. Mas a delegacia de plantão estava lotada. Procuramos então a imprensa. Foi quando fiquei sabendo que um corpo, com as características dele, estaria no IML desde a sexta-feira (11)", conta.
Janaína diz que os bandidos roubaram o carro do seu pai, um Fiat Siena e também a carteira com os documentos. O que impediu a identificação oficial da vítima. O reconhecimento foi realizado por meio do processo de identificação de suas impressões digitais.
Investigações
Janaína lamenta que os responsáveis pela morte de seu pai ainda não foram detidos. "Não sabemos quem fez isso com ele. O responsável pode até ser uma pessoa conhecida, que o levou para a morte", comenta ela, falando um pouco de quem era Rodrigues. "Uma pessoa prestativa, sem inimigos. Ajudava muitas pessoas. Mesmo com todos os problemas de saúde, continuava trabalhando, realizando pequenos serviços em sítios da região." Após a morte, a vida da família se desestabilizou emocionalmente. "Perdi a minha mãe há cinco anos. Meu pai era muito presente e meu filho sofre muito com a ausência dele. Pede pelo avô o tempo todo. Eu também choro muito", admite Janaína.
O delegado de Cambé, Roberto Fernandes, dirige as investigações do latrocínio de Antônio Rodrigues. Ele ressalta que a apuração está bem avançada, que possui vários suspeitos e espera chegar até eles nos próximos 30 dias.


