Cidade do México, 29 (AE-REUTERS) - O autor confesso de um dos crimes que em 1994 abalaram o México envolveu o ex-presidente Carlos Salinas no assassinato de dois destacados dirigentes do partido governista.
Daniel Aguilar Trevi¤o, que cumpre desde 1995 uma sentença de 50 anos de prisão, fez as explosivas declaraçäes em uma carta manuscrita de 17 páginas enviada a um programa jornalístico de televisão na noite de quinta-feira.
Aguilar Trevi¤o foi condenado pelo assassinato em setembro de 1994 de José Francisco Ruiz Massieu, então secretário-geral do governista Partido Revolucionário Institucional (PRI) - no peder desde 1929.
Um juiz mexicano sentenciou na semana passada a 50 anos de prisão Raúl Salinas, irmão mais velho do ex-presidente Carlos Salinas, por "co-autoria intelectual" do assassinato de Massieu.
Ruiz Massieu, além de destacado político do partido que em 1998 levou Carlos Salinas à presidência para um governo de seis anos, havia sido casado com uma irmã dos Salinas.
Distintos informes provenientes de Cuba deram conta esta semana que o ex-presidente mexicano estava na ilha do Caribe, depois de ter abandonado seu auto-exílio na Irlanda, mas nenhuma autoridade confirmou a versão em Havana.
Aguilar Treve¤o, um pistoleiro de aluguel, disse na quinta-feira ao programa "Blanco y Negro" da rede Multivisión que Ruiz Masseu foi assassinado pelo "salinismo", referindo-se ao poderoso setor político criado à sombra do presidente Salinas, que governou o país até dezembro de 1994.
O assassino confesso explicou que Raul Massieu foi eliminado "porque sabia que a ordem para assassinar Luis Donaldo Colosio foi tomada em Los Pinos" - a residência oficial dos presidentes mexicanos.
Colosio, candidato do PRI e favorito para ganhar as eleiçäes presidenciais, foi morto a tiros em março de 1994 durante ato de campanha na cidade nortista de Tijuana.
O assassinato de Colosio, um impulsionador de reformas no PRI e considerado sucessor certo de Salinas, desencandeou a pior crise política no partido
Aguilar Trevi¤o disse na carta que o salinismo "delegou" a Raúl Salinas e a José Córdoba Montoya, principal assessor presidencial, a tarefa de executar o plano para assassinar Ruiz Massieu.
Ele acrescentou que também tiveram conhecimento ou participaram dos preparativos do crime, entre outros, o empresário Carlos Peralta, sócio e amigo de Raúl Salinas; o general retirado Jorge Carrillo Olea, ex-gobernador do estado de Morelos e ex-chefe de operaçäes antidrogas; e o próprio irmão de Ruiz, Mario Ruiz Massieu, que então era subprocurador-geral do México e que atualmente está sob prisão domiciliar nos Estados Unidos.
"Infelizmente um homícidio levou a outro, podendo ser a vários outros", disse Aguilar Trevi¤o.
Ele afirmou que teve vários "contatos" com a família Salinas para executar "ordens", as quais ele não especificou, e revelou que fez parte de um "comando" de militares retirados, ao qual se integrou nos Estados Unidos.
Segundo ele, este grupo o treinou "nas artes e técnicas de aniquilar o inimigo" e é regido por um "código de honra, lealdade e silêncio".

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