Imagem ilustrativa da imagem Mata nativa é alvo de desmatadores no Norte do PR
| Foto: Fotos: Anderson Coelho
Em Santa Cecília do Pavão, é possível observar a grande quantidade de árvores secas derrubadas em meio à clareira aberta na vegetação



Santa Cecília do Pavão - O Norte do Paraná é uma das regiões que apresentam uma das menores coberturas vegetais do Estado, com cerca de 500 mil hectares de áreas remanescentes de Mata Atlântica. Em muitas propriedades, nem as matas ciliares são poupadas, colocando em risco todo o ecossistema. O pouco que sobrou de mata nativa é alvo constante de desmatamento ilegal. Por meio de denúncias anônimas, a reportagem da FOLHA chegou a duas dessas áreas, uma em Santa Cecília do Pavão (Norte Pioneiro) e outra em Ortigueira, já nos Campos Gerais, no limite com o município de São Jerônimo da Serra, também no Norte Pioneiro.
Para chegar à área desmatada em Santa Cecília do Pavão, a reportagem deixou a sede do município e percorreu nove quilômetros por uma estrada de terra até o bairro rural 200 Alqueires. Pouco antes da entrada da escola do bairro, uma grande área no alto de uma colina destoa da paisagem verde. De longe é possível observar a grande quantidade de árvores secas derrubadas em meio à clareira aberta na vegetação. Mais de perto, as marcas de pneus de máquinas no solo denunciam o crime ambiental.
Cerca de um quilômetro adiante, outra clareira. Em pouco tempo os vestígios são apagados e a terra dá lugar às plantações de trigo e outras culturas.
Uma pessoa que preferiu não se identificar contou à reportagem que fez a denúncia ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Segundo ele, uma equipe do órgão, da Regional de Cornélio Procópio, chegou a fiscalizar três áreas de desmatamento no local, mas nenhuma autuação foi feita. A suspeita é de interferência política. Segundo o denunciante, os três pontos desmatados ficam em propriedades de parentes de um político da região. "Quando um pequeno produtor derruba duas árvores sem autorização já é multado. A mesma lei tem que valer pra todo mundo", reclama o denunciante.
A assessoria de imprensa do IAP informou que uma fiscalização foi realizada no local no dia 8 de julho. O proprietário do terreno foi notificado e prestou esclarecimentos na sede do escritório regional. "Na ocasião foi constatado corte de vegetação nativa em uma área correspondente a cinco hectares", diz a nota. A vegetação estava em estágio avançado de regeneração dentro da Mata Atlântica. Outra área de preservação permanente também teve 0,8 hectare devastado. Após a coleta de informações e de depoimentos, os fiscais farão o laudo que deve embasar o processo administrativo. Até a finalização do laudo, as áreas permanecerão embargadas para atividade agropastoril.
Os responsáveis pelo desmatamento ilegal podem receber multas que variam de R$ 500 a 5 milhões. Conforme a assessoria do instituto, os valores dependem de critérios como a espécie desmatada, se houve reincidência na ação e se foi constatado o descumprimento de algum termo de compromisso com o Ministério Público. O processo administrativo feito pelo IAP é encaminhado à Polícia Ambiental e os responsáveis podem responder criminalmente pela ação.

BIOMA CASTIGADO
No dia 10 de julho, a FOLHA publicou uma reportagem especial sobre desmatamento. A matéria foi produzida com base nos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, documento elaborado pela ONG SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Aeroespaciais (Inpe). Os três municípios que mais desmataram a Mata Atlântica foram Jequitinhonha e Águas Vermelhas, ambos em Minas Gerais, seguido de Itaiópolis, em Santa Catarina. No Paraná, as cidades de Bituruna, Coronel Domingos Soares e Palmas foram as campeãs. Os dados foram coletados entre 2000 e 2014.(Colaborou Viviani Costa)

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