CURITIBA - O presidente da Copel, Ingo Hubert, disse ontem que a Mata Doralice não vai ser totalmente inundada pelo reservatório das futuras usinas hidrelétricas do Rio Tibagi, em Jataizinho. ‘‘Pelo contrário, a mata será preservada em sua maior parte e, com a recomposição da matriz botânica, será ainda maior do que é hoje’’.
Hubert fez a afirmação num encontro realizado na Assembléia Legislativa com deputados estaduais, preocupados com o impacto ambiental que os empreendimentos poderão trazer. O presidente explicou que o projeto ‘‘prevê a inundação apenas de aproximadamente 20% da mata, ou seja, muito menos do que foi desmatado nos últimos 40 anos’’. Participaram da reunião os deputados Algaci Túlio, José Tavares, José Maria Ferreira, Duílio Genari, Cezar Silvestri, Neivo Beraldin e Élio Rush.
O presidente da Copel disse aos deputados que os estudos feitos pela companhia para o projeto - Cebolão e Jataizinho - revelaram, no caso de Jataizinho, que a Mata Doralice possuia 502 hectares de cobertura vegetal em 1952, e de lá para cá foram devastados 337 hectares, restando atualmente 168 hectares da mata. ‘‘E, desses, apenas 101 hectares são de mata virgem’’, afirmou.
Os parlamentares ouvirem de Ingo que a Copel tem tradição na recomposição ambiental na área de seus reservatórios, inclusive na criação de florestas caracterizadas pela diversidade de espécies, vegetais. Para o complexo de Jataizinho, a companhia já mantém convênio com a Universidade Estadual de Londrina. A UEL vai realizar estudos botânicos que possibilitarão a recomposição da área. ‘‘Embora não detenha as concessões, que ainda serão colocadas em licitação, a Copel já está tomando todas as providências necessárias para que as obras causem o menor impacto ambiental possível’’, assegurou o presidente.
Companhia confiável Representante da região de Londrina, o deputado José Tavares afirmou no encontro que, por conhecer bem a Copel, acredita na grandeza da companhia paranaense em seus propósitos. O deputado lembrou que a companhia de energia de São Paulo, que construiu a usina de Capivara, no Rio Paranapanema não deu ‘‘a mínima satisfação para o povo da região, ao passo que sabemos que a Copel não procederá dessa maneira’’. O deputado Cezar Silvestri, da região de Guarapuava, afirmou ter acompanhado as atividades da Copel no Rio Iguaçu e elogiou as ações da empresa na construção da Usina de Salto Caxias, onde a companhia demonstrou preocupação com a parte ambiental.
Segundo o deputado Algaci Túlio, a explanação do presidente da Copel demonstrou ‘‘a realidade dos fatos’’ e foi muito importante. ‘‘A construção da hidrelétrica é importante para aquela região e não é possível que interesses particulares se sobreponham aos benefícios previstos para toda a comunidade local’’, afirmou o deputado. Para ele, ‘‘muito piores para a reserva podem ser a construção de um hotel no local e a exploração de uma valiosa jazida de argila, como desejam algumas pessoas’’.
Túlio afirmou que acredita que a oposição à construção da usina pode vir a prejudicar toda a população da região de Londrina, que tem se mostrado favorável à atração de novos investimentos industriais. ‘‘Nós temos percebido que a disponibilidade de energia é uma das principais preocupações das empresas que estão vindo para o Paraná. Cebolão e Jataizinho podem dar essa garantia. Infelizmente, a atitude de algumas pessoas, que posam de defensores do meio ambiente, pode acabar prejudicando toda a comunidade’’, disse o deputado.
Potências Segundo a Copel, o relatório de viabilidade das usinas revela que Cebolão poderá ter uma potência instalada de 168 megawatts (MW), enquanto Jataizinho terá 155 MW, totalizando 323 MW. As duas usinas ficarão no Rio Tibagi: Jataizinho a 5 km e Cebolão a 35 km rio acima da ponte na estrada que liga os municípios de Jataizinho e Ibiporã.
Enquanto a Mata Doralice será atingida em apenas 20%, o complexo do Cebolão terá 1.800 hectares de área inundada, totalmente de ambientes já alterados em relação à cobertura vegetal original - aponta os técnicos da companhia. A área inundada por Jataizinho será um pouco maior: 2.240 hectares.
Nos dois casos, quase toda a área - em torno de 93% - é hoje ocupada por agricultura, pastagens e capoeira. Das 148 propriedades previstas para serem atingidas pelo reservatório de Cebolão, o comprometimento será total em apenas duas delas, correspondentes a 1,35% de toda a área. Deverão ser atingidas 176 propriedades em Jataizinho, com comprometimento total de apenas 11 delas, o equivalente a 6,25% da área do reservatório.
Os estudos estão sendo encaminhados ao Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE), órgão do Ministério de Minas e Energia responsável pelas concessões do setor. A expectativa é que a licitação para a concessão seja realizada já em 1997 e que as duas possam estar produzindo energia em 2003.
Autorizada pelo DNAEE a realizar os estudos de viabilidade, a Copel está se preparando também para participar da concorrência que irá definir quem irá levar adiante os empreendimentos, de acordo com a nova regulamentação do setor elétrico.

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