Mata Atlântica perde 102 mil hectares
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de maio de 2009
Cláudia Palaci<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - A Mata Atlântica foi devastada ao menos em 102.938 hectares entre 2005 e 2008, segundo levantamento do Atlas dos Remanescentes Florestas da Mata Atlântica, divulgado ontem. Os estados de Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia lideraram o ranking do desmatamento somaram juntos 82.829 hectares. O Paraná desflorestou 9.978 hectares.
Segundo o Atlas, somando todos os fragmentos de floresta, a cobertura é de 147 mil quilômetros quadrados, ou 11,41% de mata nativa em todo o País.
O estudo, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação SOS Mata Atlântica em 10 estados dos 17 cobertos por esse tipo de vegetação, concluiu que o ritmo de desmatamento se manteve em comparação ao período 2000-2005, quando a média anual foi de 34,9 mil hectares. Nos últimos três anos caiu para 34,1 mil hectares. Foi desmatado nestes três últimos anos quase o dobro nos 10 estados analisados, avalia o coordenador técnico de estudos do Inpe, Flávio Ponzoni.
Deste total, 59 ocorrências são áreas acima de 100 hectares, que totalizaram 11.276 hectares, e 76% foram desflorestamentos menores que 10 hectares. Em geral, as principais causas da derrubada são a expansão urbana para os limites do bioma, diz o diretor de Mobilização da Fundação, Mário Mantovani. Já Ponzoni, defende que o agronegócio não precisa impactar áreas florestadas por existir na matriz territorial áreas para este fim.
Desde o primeiro Atlas, divulgado em 1985, o Estado já desmatou 444,7 mil hectares de Mata Atlântica e tem hoje apenas 9,85% de cobertura. Para Ponzoni, o Paraná saiu da lista dos três maiores devastadores (posição que ostentou no relatório anterior) por uma possível melhora na fiscalização do Ibama e também à adequação à nova legislação por parte de proprietários, cooperativas e empresas de agronegócio, aposta.
Mantovani é mais crítico em relação à ação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e afirma que muitos desmatamentos levantados pelo Ibama têm autorização do órgão. Há muito que superar em relação aos técnicos porque instalou-se uma cultura contra a lei da Mata Atlântica, dispara.
De acordo com o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, subproduto do estudo, Guaraqueçaba (Litoral) tem ainda 80% de mata remanescente, cerca de 162 mil hectares de vegetação é o município que mais preservou, seguido de Guaratuba e Céu Azul (região Oeste). Prudentópolis (Campos Gerais) foi o campeão no estado em derrubada, com o corte de 233.517 hectares. O município de Bituruna (Oeste) que sustentou o título na edição passada, caiu para a oitava posição.


