Um novo projeto de sequestro de carbono no Brasil será anunciado hoje numa área de Mata Atlântica do litoral paranaense. Trata-se de uma parceria da Texaco com as entidades ambientalistas Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e The Nature Conservancy (TNC), envolvendo um fundo de cerca de US$ 3 milhões para a preservação, recuperação e enriquecimento de aproximadamente mil hectares de matas no entorno da Reserva Morro da Mina, em Antonina.

É um projeto pequeno, considerado demonstrativo, mas que já se beneficia da experiência desenvolvida pelas duas organizações não-governamentais (ONGs) nos dois projetos semelhantes, que mantém desde 1999, com a American Electric Power (7 mil hectares) e, desde 2000, com a General Motors (12 mil ha), também no Paraná, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba.

A intenção dos projetos desta natureza é retirar da atmosfera - neste caso, através do crescimento de árvores - o carbono emitido pelos automóveis, indústrias e outras atividades humanas. Como o carbono é o principal causador do aquecimento global da atmosfera, os projetos de sequestro de carbono pretendem compensar as emissões e frear o efeito estufa. Estas compensações ainda são pontuais e não estão regulamentadas, no âmbito do Protocolo de Kyoto, mas já servem individualmente como instrumento de marketing ''limpo'', para as empresas contratantes, e, como pilotos experimentais, para os interessados em por em prática os acordos diplomáticos.

''A Texaco mantém um relacionamento estreito com a TNC há mais de 10 anos'', diz Antônio Correia de Pinho, vice-presidente de Exploração e Produção da empresa no Brasil. ''Estamos felizes em ampliar este relacionamento e começar uma nova parceria com a SPVS e as comunidades locais para ajudar a conservar as áreas, de valor ambiental significativo, identificadas neste projeto''.

Parte dos recursos da Texaco ficam num fundo cujos rendimentos servirão para manter o projeto nos próximos 40 anos. Com outra parte, a empresa de petróleo financiará a compra de terras em volta da Reserva de Morro da Mina, uma área de 2,3 mil hectares, que foi doada em 1995 à SPVS pela mineradora de ferro Ical, quando a concorrência das minas de Carajás, do Pará, tornou seu negócio inviável. Como Morro da Mina, as novas terras serão de propriedade da ong brasileira SPVS, devendo ter as matas averbadas em cartório e transformadas em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

''Caso a SPVS venha a fechar ou o contrato seja, por algum motivo, desfeito, as terras serão repassadas obrigatoriamente a outra ONG 100% nacional, de cunho ambientalista '', reitera Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS, referindo-se ao temor, costumeiro, nestes casos, de que o projeto sirva apenas para legalizar a compra de terras brasileiras por ONGs internacionais.

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