Mata Atlântica está à beira da extinção
Mata Atlântica está à beira da extinção
Levantamento divulgado ontem, na sede do Inpe, indica que a devastação atingiu 500 mil hectares em cinco anos
Liana John,
Agência Estado
Albari Rosa/Arquivo FolhaEx-vilãoEm cinco anos o Paraná teve 84.606 hectares de mata atlântica devastados, um número considerado alto, mas que reflete uma reversão de tendência A Mata Atlântica foi reduzida a apenas 7% da área original e está a um passo da extinção. Entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul, foram perdidos 500.317 hectares de matas primárias, apenas entre 1990 e 1995. Só restam 8.182.096 hectares, excessivamente fragmentados. Estas são algumas das conclusões do novo levantamento dos remanescentes florestais, divulgado ontem na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, pela Fundação SOS Mata Atlântica. A devastação foi maior no Rio de Janeiro, seguido por Minas Gerais e Paraná.
O estudo, que este ano não incluiu os Estados do Nordeste, foi realizado com imagens do Inpe e processamento de informações do Instituto Socio-Ambiental (ISA). Este é o segundo levantamento feito pela SOS Mata Atlântica. O anterior abrangeu o período 1985-90, ano em que ainda restava 8,8% da floresta.
As imagens de satélite mostram um avanço impressionante dos desmatamentos, apesar dos decretos restritivos e das campanhas para salvar um dos ecossistemas de maior biodiversidade do Planeta. A luta agora é pelo desmatamento zero, diz Mário Mantovani, da SOS Mata Atlântica. As 130 entidades ambientalistas da Rede Mata Atlântica, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, estão mobilizadas para conseguir a aprovação de uma lei definitiva para frear o desmatamento, seja através de ações educativas, seja forçando a participação da sociedade nos projetos oficiais, financiados por organismos internacionais como o Programa Piloto de Florestas (PP-G7) e outros.
O estudo deste ano atingiu uma qualidade técnica a que não foi possível chegar no levantamento anterior. O ISA conseguiu mapear uma série de áreas não analisadas anteriormente por causa da cobertura de nuvens ou da falta de definição sobre o que era exatamente o domínio de Mata Atlântica. Saímos do nível empírico para dar à sociedade instrumentos de proteção e maneira de reivindicar mais profissionalmente um patrimônio que é de todos, disse Mantovani.
Na comparação entre os dois levantamentos verifica-se que o ritmo de devastação diminuiu. De 85 para 90 perdemos 6,5% da cobertura florestal, enquanto de 90 para 95 a taxa de desmatamento foi de 5,7%. Mesmo assim é muito, porque os desmatamentos estão ocorrendo num ecossistema que já foi reduzido a apenas 7% do seu tamanho original, reitera João Paulo Capobianco, do ISA.
Em números absolutos, o maior susto ficou por conta do Rio de Janeiro, disparado na liderança das derrubadas, com 140 mil hectares. Em seguida, outro susto, em Minas Gerais foram 88.951 hectares de floresta perdidos, apenas no que se considera domínio de Mata Atlântica, sem contar cerradões e outras fisionomias florestais do Estado. O terceiro lugar ficou com o Paraná, com 84.606 hectares, um número alto, mas que reflete uma reversão de tendência.
São Paulo aparece na quarta colocação, com 67.400 hectares derrubados, e Santa Catarina vem em quinto, com 62.919 hectares. Depois vem o Rio Grande do Sul, com 28.793 hectares derrubados, Espírito Santo, com 22.428, Mato Grosso do Sul, com 4.197 e Goiás, com 648.





