São Paulo, 09 (AE) - No mundo inteiro existe um grupo de 25 áreas extraordinariamente ricas em termos de biodiversidade. Conhecidas entre os cientistas como hotspots, ou pontos quentes, elas abrigam 60% da vida terrestre, embora ocupem apenas 1,4% da superfície do planeta. A Mata Atlântica - ou o que restou dela - é um desses santuários ecológicos. Ela tem uma importância tão grande que acaba de ser apontada, num estudo científico ainda não publicado, como uma das cinco áreas prioritárias do mundo em termos de conservação. As outras quatro encontram-se na região tropical dos Andes, no Caribe, na Indonésia e em Madagascar.
O autor do estudo, o cientista e presidente da organização Conservation International, disse hoje em São Paulo que as ações destinadas à preservação da Mata Atlântica são urgentes. Ele afirmou que a área concentra mais de 20 mil espécies de plantas - o que corresponde a 7% de tudo que existe no mundo. Uma boa parte dessas plantas - 8,6% - só são encontradas na Mata Atlântica. "Se forem destruídas, o mundo as perderá para sempre.
Para dar uma dimensão mais clara da riqueza da mata brasileira, Mittermeier disse ter encontrado numa área de apenas um hectare, na Bahia, 476 espécies de árvores - sem incluir plantas rasteiras e arbustos. "Não conheço em todo o mundo uma taxa tão alta." Não são apenas as plantas, porém, que atraem a atenção do mundo para a Mata Atlântica. Segundo os indicadores de Mittermeier, ali também vivem 1361 espécies de vertebrados, mamíferos, aves, répteis e anfíbios - o que corresponde a 5% da biodiversidade total do planeta. Ele também disse que 146 espécies dos invertebrados listados só existem neste nicho brasileiro. "O surpreendente disso tudo é que estamos falando de uma área que só ocupa 0,06% da superfície terrestre.
Na época do descobrimento, a Mata Atlântica acompanhava quase todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte a Santa Catarina, com uma área estimada em 1,2 milhão de km 2. Mas, após séculos de devastação, restam hoje menos de 8% da floresta original, concentrados principalmente na região Sudeste.
Apesar de sua importância, essa área ainda se encontra ameaçada, segundo as ONGs empenhadas em sua conservação. Para essas entidades, os riscos seriam menores se fossem aprovadas leis mais claras de proteção da área. Eles citam como exemplo do descaso a chamada Lei da Mata Atlântica, que regula o uso da floresta. Depois de ter sido negociada durante sete anos no Congresso, o projeto desta lei encontra-se encalacrado na Casa Civil da Presidência da República. Segundo representantes da Fundação SOS Mata Atlântica, as pressões de líderes ruralistas estariam impedindo sua aprovação.

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