MASTOLOGIA Droga revoluciona combate ao câncer
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quinta-feira, 08 de setembro de 2005
Karine Rodrigues<br>Agência Estado 
Rio- O farmacologista americano Virgil Craig Jordan, que descobriu os efeitos da droga tamoxifeno no combate ao câncer de mama, está coordenando a maior pesquisa clínica já feita sobre o assunto na área de prevenção, com 19 mil voluntárias. O uso do tamoxifeno revolucionou a forma de deter a doença, evitando a morte de mais de 400 mil mulheres.
No Brasil para participar do XIII Congresso Brasileiro de Mastologia, Jordan adiantou que até o meio de 2006 serão divulgados os resultados preliminares do estudo, uma comparação entre o tamoxifeno e outro antiestrógeno chamado raloxifeno.
Indicado ao Prêmio Nobel de Medicina pela importância dos ensaios feitos desde 1970, todos relacionados ao câncer de mama, Jordan explicou que o objetivo da pesquisa, feita nos Estados Unidos, é comprovar a eficácia do raloxifeno que, em testes com animais, mostrou-se potente para evitar câncer de mama, osteoporose e doenças coronarianas.
A intenção é apontar qual droga é mais eficaz e produz menos efeitos colaterais, se o raloxifeno ou o tamoxifeno, que têm a mesma forma de ação, ou seja, bloqueiam os receptores do hormônio feminino estrógeno, impedindo a formação de células cancerosas.
Todas as mulheres que integram a pesquisa clínica fazem parte do grupo de risco para o câncer de mama, já passaram pela menopausa e têm receptores positivos para o estrógeno. Metade delas vai ser tratada com tamoxifeno e a outra metade, com raloxifeno. Este último, apesar da eficácia indiscutível, provoca um aumento sutil na incidência de câncer de endométrio, fazendo com que a taxa suba de um para três casos em cada grupo de mil mulheres.
Há 30 anos, observou o cientista, o tratamento disponível para câncer de mama limitava-se à cirurgia para retirada do útero. ''Porém, em vários casos, a doença voltava cinco, dez anos depois da operação. Com o tamoxifeno, a sobrevida da paciente aumentou consideravelmente e a taxa de mortalidade por câncer de mama na Inglaterra, por exemplo, caiu 30%'', disse Jordan, professor da Northwestern University School of Medicine, acrescentando que outra vantagem do medicamento é o preço.
No Brasil, o tratamento mensal fica em torno de R$ 70 e deve ser feito durante até cinco anos, em combinação com outros tratamentos ou isoladamente, no caso de tumores pequenos.
O ensaio envolve cerca de 500 profissionais de saúde e está sendo financiado por um braço do Instituto Nacional do Câncer americano. Entre os fatores que predispõem à doença, estão, por exemplo, gravidez após os 30 anos ou a inexistência de gravidez, envelhecimento, existência de mãe ou filha que morreram de câncer de mama em idade jovem, na faixa entre 40 e 50 anos, e hiperplasia no seio.
Embora o tumor de mama seja o câncer de maior incidência nos Estados Unidos, Jordan chamou atenção para neoplasia de pulmão. ''Entre mulheres, é hoje o câncer que mais mata. E isso porque elas estão sendo convencidas pela indústria a fumar, relacionando o cigarro à liberdade. Vocês são liberais, modernas, vamos fumar'', alertou, recriminando a mensagem passada pela publicidade. Ele ressaltou ainda o perigo da obesidade, acrescentando que os quilos a mais ganhos hoje vão, no futuro, causar sérios problemas de saúde. ''As pessoas estão comendo muitas calorias e não se exercitam.''


