Mast promete reagir contra despejo
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 24 (AE) - As 120 famílias ligadas ao Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) que invadiram a fazenda São Francisco, em Caiuá, há duas semanas, prometem resistir ao mandado judicial de reintegração de posse que a Polícia Militar pretende cumprir amanhã. O comandante da 1a. Cia da Polícia Militar em Presidente Venceslau, Major Élio Aparecido Costa, disse ter sido informado da disposição do Mast, mas informou que, sob seu comando, um contingente de 50 homens da PM será deslocado às 8h para a fazenda disposto a dar cumprimento a ordem judicial, expedida na semana passada pelo juiz de Presidente Epitácio, Otávio Tioiti Tokuda.
O presidente do MAST, Lino de Macedo, informou que a decisão de resistir a ação policial foi adotada em virtude da demora por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em discutir a situação daquelas famílias. Ele explicou que os invasores são filhos de beneficiários do Projeto Lagoa São Paulo, assentamento instalado há vários anos pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) em terras adquiridas em Presidente Epitácio e Caiuá que casaram-se e agora reivindicam suas próprias áreas para produzir. De acordo com Macedo, os sem-terra exigem que o Incra realize a vistoria da propriedade que, segundo eles é improdutiva e passível de desapropriação. A fazenda São Francisco situa-se ao lado do Projeto Lagoa São Paulo. Em Presidente Venceslau, o comandante da PM informou que conversou na manhã de hoje com o presidente do Mast e que recebeu dele a informação de que os invasores não pretendem deixar pacificamente a área. O major destacou que não acredita em resistência, mas lembrou que por segurança o contingente da PM será composto de representantes da Polícia Feminina e de uma ambulância. "Caso eles resistam vamos nos liminar a elaborar um boletim de ocorrência por resistência a ordem judicial e eles serão processados", informou.
INVASÓES- O presidente do Mast informou que até o mês de abril os sem-terra que integram o movimento pretendem invadir pelo menos 20 fazendas para forçar o Incra a acelerar o processo de assentamento. Desde o carnaval, segundo ele, já ocorreram nove ocupações. Além do Pontal do Paranapanema, dirigentes do movimento estão apoiando invasões em outras regiões do estado. No último fim de semana dois hortos florestais foram ocupados em Bauru, numa ação coordenada pelo presidente do Sindicato Rural de Euclides da Cunha, Moisés Simeão de Oliveira, que integra o Mast.
Macedo voltou a acusar o Incra de não acelerar o processo de vistoria de fazendas para viabilizar o assentamento das famílias. Ele contestou declaracões dadas a Agência Estado pelo superintendente estadual do Incra, Luiz Moraes Neto, que disse na semana passada que o orgão vem realizando as vistorias solicitadas. " Desde meados do ano passado indicamos 22 áreas para serem vistoriadas e até agora nada foi feito", disse.
O Mast exige também que o Incra intensifique as ações para viabilizar assentamentos já instalados no Pontal. Um dos casos mais preocupantes é o da Fazenda Lagoinha em Presidente Epitácio onde, segundo Macedo 160 famílias estão assentadas há vários meses em lotes provisórios.
Além de não receber ajuda para perfurar poços e não ter qualquer assistência técnica, os que conseguiram colher um pouco de algodão, milho e feijão, estão sendo obrigados a vender para atravessadores pois sem os lotes definitivos não podem obter os talões de nota de produtor para regularizar as safras.


