Joaquim Távora A promessa de distribuição de sete alqueires para plantio, mais R$ 15 mil para insumos e a garantia de receber uma cesta básica por mês levaram pelo menos 33 chefes de família a largar suas casas para formar um acampamento à margem da PR-092, no município de Joaquim Távora (53 km ao sul de Jacarezinho).
A esperança do grupo é ser incluído no cadastramento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Eles acreditam que pelo menos três propriedades serão destinadas à assentamentos em poucos meses na região. O instituto não confirma a intenção e mantém sigilo para evitar especulações com os imóveis.
O acampamento, localizado em uma área do Departamento Estradas e Rodagem (DER), estampa uma faixa do Movimento dos Agricultores Sem Terra (MAST) e é composto basicamente por trabalhadores rurais desempregados do Conjunto Habitacional Asa Branca, periferia de Joaquim Távora. Os primeiros barracos foram instalados há oito dias.
Os líderes do acampamento apostam que nas próximas semanas o número de barracas deve duplicar. Estão sendo esperados desembarques de moradores de outros municípios, como Santo Antônio da Platina, Guapirama, Carlópolis, Quatiguá e Ribeirão Claro.
''Não vamos proibir ninguém de fazer parte do acampamento. Se a gente perceber que é uma pessoa que precisa e está disposta a trabalhar na terra, será bem-vinda'', admite Sérgio Vieira, 51 anos, um dos porta-vozes dos invasores.
No Asa Branca, uma comunidade com 340 famílias, o assunto vem sendo tratado desde o início de junho, quando um boato percorreu ruas e bares: quem quisesse terra e dinheiro que ficasse atento. Logo depois os moradores foram convidados a comparecerem na sede da Associação de Moradores para uma reunião de esclarecimento.
Segundo testemunhas, no primeiro encontro compareceram o coordenador estadual do MAST, Valdir Antunes, o vereador Edmundo José de Carvalho (PT), o técnico agrícola Dorival Martins dos Santos, parceiro do MAST na região, e o presidente da associação, Orlando Furusho.
Houve mais duas reuniões, onde foram acertadas as táticas de ocupação e o ponto onde seria formado o acampamento. Segundo os acampados, eles não foram ameaçados pelos fazendeiros (um deles fez uma grande doação de alimentos, oferecendo até emprego para roçar pasto; um sitiante vizinho vem fornecendo água potável) e nem incomodados pela Polícia Militar.
Reginaldo Silva Felizardo, o Tufinho, outro porta-voz do grupo, garante que o acampamento do MAST pode se integrar à paisagem por muito tempo. ''Só saímos daqui com nosso pedaço de terra. Se precisar, a gente fica um ano nas barracas''.
Os acampados asseguram que estão desarmados e que não escolheram o ponto intencionando alguma invasão de propriedade, como foi comentado em Joaquim Távora. ''Não vamos invadir terra de ninguém'', prometeu Sérgio Vieira.

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