Caiuá, SP, 17 (AE) - Cerca de 90 famílias ligadas ao Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) estão ocupando desde segunda-feira a Fazenda Icatu, no município de Nantes, no Pontal do Paranapanema, em São Paulo. A ação faz parte da estratégia dos sem- terra de intensificar as ocupações de propriedades na região para forçar o governo federal a acelerar o processo de assentamento.
O presidente do Mast, Lino de Macedo, que também é vereador pelo PSDB, em Caiuá, disse hoje acreditar no recrudescimento das invasões por parte dos vários grupos de sem- terra que integram o movimento. O Mast não tem vínculo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), é ligado a Social Democracia Sindical e reúne diversos movimentos pequenos que atuam em favor da reforma agrária no Pontal.
No caso da Fazenda Icatu, segundo Macedo, a ocupação foi promovida pelo Movimento dos Agricultores Unidos Sem-Terra (Maust), cujo líder, identificado apenas como Pedrão, reivindica a vistoria da área pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) porque acreditam que ela é improdutiva e passível de desapropriação.
De acordo com o presidente do Mast, a intensificação das invasões decorre da lentidão do instituto em promover os assentamentos. "O Incra só vistoria fazendas invadidas", afirma. Ele explicou que o Mast já pediu vistorias em diversas propriedades do Pontal, mas o órgão não tomou qualquer providência. "As fazendas Porto Velho, Engenho e Santa Rita, que foram ocupadas, tiveram o processo de vistoria realizado, e hoje as famílias já estão assentadas", lembra. Manutenção - O Mast não pretende acatar pacificamente a ordem de manutenção da posse, expedida pelo juiz de Presidente Epitácio, Otávio Tioiti Tokuda, em favor dos proprietários da Fazenda São Francisco, invadida sexta-feira passada, em Caiuá, por 120 famílias, ligadas ao Movimento Nova Força, que também integra o movimento.
Macedo informou que espera o cumprimento da ordem judicial para o começo da próxima semana e assegurou que antes de deixar a área os invasores pretendem obter garantias de que a fazenda será vistoriada.

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