Dezenas de barracas de lona armadas, poucas delas ocupadas ou com objetos e utensílios. Esse foi o quadro encontrado pelos policiais que cumpriram a reintegração de posse do Sítio Triunfo II, área de 8 alqueires, que faz parte da Fazenda Cedro, uma das maiores da região de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina). Com cerca de 1,1 mil alqueires no total, a propriedade que pertence à família Bonalumi de Arapongas, foi ocupada no dia 23 de maio pelos integrantes do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast) .
Cerca de 180 policiais civis e militares de Londrina, Maringá, Apucarana, Cornélio Procópio e Rolândia participaram da operação. A ordem de reintegração partiu do juiz Ricardo Mitsuo Oabe, da Comarca de Jaguapitã.
Ao entrarem no Sítio, a menos de 10 quilômetros da rodovia, os policiais se depararam com poucos integrantes do movimento, cerca de 20 pessoas. A maioria dos sem-terra estaria trabalhando nas cidades vizinhas de Santa Fé e Guaraci e só retornariam no final do dia. ''Para articular a reintegração de posse, a polícia havia constatado pelo menos 100 barracas, o que não significa que haviam 100 famíias necessariamente. O movimento havia levantado um grande número de barracas para caracterizar força, mas como vemos aqui, a maioria delas nem estava sendo utilizadas'', disse o porta-voz a Polícia Militar de Rolândia, tenente Silvio Moraes.
Nenhum líder do movimento foi encontrado no local. O sem-terra Joaquim Paulino de Paes Filho, 54 anos, que saiu do Estado de São Paulo acreditando que fosse conseguir um pedaço de terra desfez o barraco ontem. ''Quando chegamos aqui tinha 104 pessoas cadastradas e falaram pra gente que aqui era uma região improdutiva. A gente vem com o sonho de conseguir um chão para gente né. Como sou viúvo, vou tentar voltar para a casa de minha filha e ver o que eu faço'', comentou desapontado.
Já Antenor Lopes, 55, que integrou o movimento por seis anos, tem casa própria em Santa Fé. Disse que vivia com a doação de uma cesta básica e esperava viver no local. ''Até agora a gente não plantou nada, mas eu pretendia plantar milho, feijão, coisas para o consumo próprio mesmo''. Para ele, morar na cidade sem emprego é pior. ''Na cidade tem muita conta pra pagar e aqui não, mas o jeito vai ser voltar pra casa'', lamentou.
De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), uma vistoria em outubro de 2007 no local contatou que a área é produtiva. A filha do proprietário da área, Luciane Bonalumi Zafalon, que administra a situação da terra confirmou que, além da pecuária, a área é usada no cultivo de milho e trigo. ''Meu pai faleceu há alguns anos e por enquanto a propriedade está em litígio e não pertence a nenhum filho ainda. O movimento estava alegando que não tínhamos documentação de algum lote, o que não é verdade. Mas a desocupação aconteceu de forma eficaz e rápida. Tenho orgulho de ser paranaense porque o Estado garantiu nosso direito'', comentou.

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