Mast desocupa fazenda em Congonhinhas
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segunda-feira, 12 de maio de 2003
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Os agricultores que invadiram a Fazenda Serra Grande em Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio), há cerca de um mês, deixaram o local anteontem e estão acampados em frente a porteira. A determinação partiu do comando do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast). Segundo o presidente do Mast, Valdir Antunes, eles vão aguardar do lado de fora da fazenda até que o laudo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) esteja concluído. ''A posição do Mast não é de invasão, eles entraram porque encontraram tudo abandonado e até por falta de experiência'', alegou Antunes, que esteve no local na última semana.
O inventariante da fazenda, José Carlos Caldi, e a vencedora da ação judicial entre os herdeiros que discutia a posse da área, Rosalina Lima da Silva também estiveram no local, há cerca de 15 dias, na tentativa de um acordo amigável para a desocupação. O prazo dado, informalmente, para a saída foi até o final desta semana. Se os invasores não tivessem saído, um processo de reintegração de posse seria instaurado. ''Fomos bem recebidos e contei minha história, mas eles falaram que iriam esperar o laudo do Incra para sair'', disse Rosalina. Os 27 agricultores entraram na fazenda depois que souberam que o Incra estava medindo a área para uma possível desapropriação e já iniciaram o plantio de hortas.
A fazenda, foi alvo de disputa judicial entre herdeiros durante 15 anos, e foi invadida antes que a vencedora da ação judicial conseguisse tomar posse da área. Rosalina viveu durante 14 anos com o dono da fazenda, Nelson Galdino Ribeiro, falecido em 1994, e depois da separação entrou na Justiça em busca de seus direitos. Como Rosalina ainda não tem a escritura da fazenda porque os herdeiros ainda não entraram em acordo para a demarcação de terras, ela não pôde dar queixa na polícia e pedir reintegração de posse. Quem pode fazer isso é o inventariante, casado com uma das filhas de Nelson Galdino.
O pedido de reintegração de posse não foi feito até agora pelo inventariante porque, segundo seu advogado, Pedro de Oliveira, ele não quer ''arrumar briga''. O advogado estuda inclusive a substituição do inventariante por outro herdeiro. ''Ele é muito conhecido na região e quer evitar encrenca'', afirmou.
O advogado de Rosalina, Domingos José Perftto, comemorou a saída dos invasores. ''Se eles saíram mesmo já não é mais necessária a reintegração de posse, podemos dar sequência na demarcação'', disse. Segundo a assessoria de imprensa do Incra, ainda não há previsão para o laudo da fazenda Serra Grande.


