Presidente Prudente, 19 (AE) - Depois de considerar consolidada sua posição de luta em favor da reforma agrária em São Paulo, o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) decidiu hoje, em reunião realizada em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, expandir sua área de atuação para todo o País. Ligado à Social Democracia Sindical (SDS), o Mast quer aproveitar a estrutura que aquela organização mantém em 22 Estados para estabelecer bases de atuação que deverão estar funcionando até o fim deste ano.
A proposta foi inicialmente apresentada na manhã de hoje
na primeira etapa do Seminário Pontal que o Mast promove em Prudente. Amanhã (20) o assunto voltará a ser discutido, com a escolha de um representante do Mast do Pontal do Paranapanema para coordenar a instalação das bases nos Estados. A SDS foi fundada, há dois anos e meio, pelo sindicalista Enilson Simões, o Alemão, ex-integrante da Força Sindical. Há um ano, a entidade estimulou a formação do Mast a partir da união de diversos grupos que lutavam isoladamente pela reforma agrária. MST - A iniciativa de expandir as ações do Mast, segundo o diretor-financeiro do movimento, José Avelino Pereira, é decorrente do enfraquecimento e da divisão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em todo o País. Pereira coordenou uma das etapas do trabalho em Prudente. Segundo ele, a radicalização do Mast na luta pela conquista da terra e iniciativas como a de recrutar mendigos nos grandes centros para invadir fazendas, têm causado profundas divisões no MST e aberto espaços para o crescimento de outros movimentos.
De acordo com Pereira, um dos aspectos que mais diferencia as duas organizações é que, enquanto o MST tem na base de sua atuação o aspecto político, o Mast é voltado exclusivamente para a questão da reforma agrária. O Mast também prega a municipalização dos assentamentos, priorizando o atendimento aos sem-terra que vivem nas regiões das fazendas desapropriadas. Já o MST, segundo ele, chega a transportar trabalhadores de outros Estados para aumentar sua força de pressão e exigir que sejam assentados.
O Mast pretende invadir pelo menos mais dez fazendas no primeiro semestre, segundo informou seu presidente Lino de Macedo.

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